31.8.07

Kate Nash é como diria Hebe Camargo uma gracinha...
E esta musica Foundations ou Fundações é o resumo de um relacionamento doentio ao qual ninguém consegue escapar...
Ok, vamo sacudir o esqueleto que hoje é sexta-feira!!






FOUNDATIONS
Thursday night, everything’s fine,
except you’ve got that look in your eye
when i’m tellin’ a story and you find it boring,
you’re thinking of something to say.
You’ll go along with it then drop it
and humiliate me in front of our friends.
Then i’ll use that voice that you find annoyin’
and say something like“yeah,
intelligant imput, darlin’,
why don’t you just have another beer then?”
Then you’ll call me a bitch
and everyone we’re with will be embarrased,
and i wont give a shit.
My finger tips are holding onto the cracks in our foundation,
and i know that i should let go,but i can’t.
And everytime we fight i know it’s not right,
everytime that you’re upset and i smile.
i know i should forget, but i can’t.
You said I must eat so many lemons’cause i am so bitter.
I said“i’d rather be with your friends mate ’cause they are much fitter.”
Yes, it was childish and you got agressive,
and i must admit that i was a bit scared,
but it gives me thrills to wind you up.
My finger tips are holding onto the cracks in our foundation,
and i know that i should let go,but i can’t.
And everytime we fight i know it’s not right,
everytime that you’re upset and i smile.
i know i should forget, but i can’t.
Your face is pasty ’cause you’ve gone and got so wasted,
what a suprise.
Don’t want to look at your face ’cause it’s makin’ me sick.
You’ve gone and got sick on my trainers,
I only got these yesterday.
Oh, my gosh, i cannot be bothered with this.
Well, i’ll leave you there ’til the mornin’,
and i purposly wont turn the heating onand dear God,
i hope i’m not stuck with this one.
My finger tips are holding onto the cracks in our foundation,
and i know that i should let go,but i can’t.
And everytime we fight i know it’s not right,
everytime that you’re upset and i smile.i know i should forget, but i can’t.
And everytime we fight i know it’s not right,everytime that you’re upset and i smile.i know i should forget, but i can’t


Kate Nash

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Análise de Conteúdo

















- Próximo!
- Doutor, doutor, acho que eu me perdi! Eu fui para a sala de cirurgia, e agora não consigo mais achar meu quarto.
- Bem, meu filho, não existe maneira simples de dizer isto, então lá vai: aqui não é o hospital, aqui é o Céu.
- Isto quer dizer que eu morri?
- É uma forma um tanto simplista de encarar a questão, mas está correta, sim.
- Eu sabia que aquele tratamento com células tronco era uma roubada...
- Bom, eu não sou nenhum especialista no assunto, mas tenho certeza que os tratamentos eficazes que usam células tronco não incluem imbuia nem jacarandá.
- É mesmo? Sabia que eu devia ter procurado no Google antes... E agora, o que acontece?
- Agora vamos decidir se você vai poder entrar no Céu ou não.
- Ah, então você vai olhar num livro, para ver se meus atos em vida foram bons, né?
- Livro, meu filho que coisa ultrapassada... Hoje é tudo informatizado. – Disse São Pedro, enquanto ligava um computador.
- Então neste computador estão todos os meus atos?
- Bom, não exatamente.
- Como assim?
- Antigamente a gente seguia este procedimento de registrar os atos bons e maus, mas um tribunal nos Estados Unidos considerou isto invasão de privacidade e fomos proibidos de fazer o registro por uma ação judicial...
- Os americanos processaram o Céu?
- É...
- E o que os seus advogados fizeram? Por que não entraram com um recurso?
- E desde quando tem advogado no Céu?
- Ah... E como vocês fazem agora para julgar se as pessoas entram no Céu ou não? Sorteio?
- Não, não, nós apenas usamos uma abordagem diferente.
- É? Qual?
- Análise de conteúdo.
- Hein, como assim?
- Nós analisamos o que a pessoa deixa para trás, suas obras de arte, livros, peças e coisas assim.
- E se não tivermos feito nada disso em vida? Eu não escrevi nenhum livro, nem peça de teatro!
- Bom, sempre tem o e-mail.
- E-mail?
- É, você nunca usou e-mail no trabalho ou em casa?
- Bem sim, mas...
- Então?
- Mas aí não é invasão de privacidade também?
- Seria, se não houvesse um contrato assinado, permitindo que nós investiguemos os e-mails.
- Que contrato?
- Você nunca viu aqueles contratos de uso de serviços de Internet que já vem com um botão escrito “Eu Concordo”?
- Vi, mas...
- E você leu?
- Só o começo, mas...
- Ninguém lê aquele negócio. Lá no final, em todos eles, está escrito que o material gerado eletronicamente pode ser usado para avaliação pós-morte.
- Sério?
- Claro! Mentir é pecado! “Não prestarás falso testemunho” , lembra?
- Foi só força de expressão, não quis dizer, bem, é que... Peraí, vocês controlam os provedores de Internet?
- Não... Muito trabalho... Nós somos a Internet.
- Como assim?
- Você já viu como estas empresas trabalham? Uma empresa presta serviço para outra, que presta serviço para outra que subcontrata uma terceira que aluga uma quarta e assim por diante... Se você seguir o fio da meada até o fim vai chegar até nós. Ou até uma empresa russa, um dos dois. De qualquer forma, os russos também devem nos subcontratar, afinal como é que este negócio de Internet pode funcionar? Só por milagre...
- Mas para que tudo isso?
- Ora essa, já falei no começo, para podermos julgar quem pode entrar no Céu.
- Através dos e-mails.
- Isso. E páginas pessoais, blogs, Messenger, ICQ, a tralha toda.
- Meu Deus!
- Ele é o Diretor de Tecnologia! Agora você está entendendo.
- Isto é incrível. Isto é diabolicamente inteligente... Quer dizer, divinamente, sem ofensas, sua santidade...
- Obrigado, não é por que não temos advogados que não podemos ser espertos, não é mesmo? Agora vamos ver, o sistema já terminou de carregar seus dados, vamos ao trabalho: 12 milhões de e-mails enviados, recebidos, sem o spam, 26 milhões de e-mails. Vamos ver o que tem aqui: piadas, correntes, mensagens motivacionais, tudo para a lixeira. Pornografia, hein? Coisa feia, ponto negativo. Blá, blá, blá, relatórios de andamento, relatórios semanais, mensais, bimestrais, trimestrais, semestrais e anuais, tudo para a lixeira. Blá, blá, aviso de vírus que não existe, “envie para todos os seus amigos”, lixeira. Hmmmm, enviou um e-mail para o diretor reclamando do chefe, hein? Falta de lealdade é mais um ponto negativo. Bom, acho que é mais ou menos isso.
- Só isso? Vou ser julgado por dois ou três e-mails?
- É, a gente faz uma amostragem. Não tem como alguém ler tudo o que todo mundo escreve e recebe. Iríamos ficar a eternidade aqui. Bom, eu vou ficar a eternidade aqui de qualquer jeito, mas acho que você entendeu a idéia.
- Mas só dois ou três e-mails?
- Tem uma coisa de fatalismo nisso que me agrada, sabe? Você nunca sabe o que vai pesar contra você, então você acaba se comportando melhor mais tempo. Com o tempo as pessoas aprendem. E você vai para o purgatório.
- Purgatório? Então existe aquela coisa de céu, inferno e purgatório, que nem na “Divina Comédia”?
- Nós acabamos incorporando muitas das idéias do Dante. Ele trabalhou aqui durante um tempo como consultor de infra-estrutura. Muito esperto, o rapaz.
- Mas o céu e o inferno não existiram sempre?
- Mais ou menos. Eles existem sempre, desde que existam pessoas que acreditem. Enquanto as pessoas acreditarem, o céu e o inferno assumirão a forma daquilo em que eles acreditam e terá sido sempre assim. Os especialistas chamam isso de retroalimentação teológica. Você vai ter bastante tempo para conversar sobre isto. Um dos castigos do purgatório é o papo-besta eterno.
- Tipo uma conversa de bar?
- É, só que sem cerveja e sem salgadinhos. A conversa de bar eterna fica no céu.
- Entendo... E, desculpe a curiosidade mórbida, mas o que tem no inferno?
- Nada agradável: tem a fila de banco eterna, onde sempre é hora do almoço, só tem um caixa que está em treinamento e todas as pessoas na sua frente são office boys, tem a troca de senha eterna, onde você tem que trocar a senha de seu computador a cada cinco minutos e cada nova senha tem que ter duzentos e trinta e nove caracteres e, claro, tem o telemarketing eterno, onde você tem que atender um telefone o tempo todo e sempre é alguém tentando te vender alguma coisa., entre outras coisas.
- Parece horrível, ainda bem que não vou para lá. Quanto tempo vou ficar no purgatório?
- Uns quinhentos anos. Passa rápido. Pode seguir aquele corredor e entrar na porta do meio.
- Então vou indo, né? Até mais, sua santidade.

- O próximo!
...
- Próximo!
...
- Não estou com pressa não, seu santo. Pode atender os outros antes.
- Rapaz, só tem você na fila!
- Mas não estou com pressa não!
- Venha logo aqui que eu não tenho a eternidade para ficar esperando, quer dizer tenho, mas não vem ao caso. Vamos carregar os seus dados... O quê? Cinco trilhões de e-mails enviados? Trabalhe em casa? Aumente o seu pênis? Viagra barato? Ah, então era você que enviava este negócio?
- Eu posso explicar, seu santo...
- Não precisa explicar nada não, meu filho. Siga aquele corredor e entre na última porta à esquerda, aquela que tem fumaça saindo por baixo.
- Mas...
- VAI AGORA!
- Tudo bem...
- Sabe que às vezes eu até gosto deste trabalho? Próximo!



Renato M Lellis

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29.8.07













Descobri que sofro de uma fobia até então não catalogada.
Chamo-a de cinemafobia.
Não, não se trata do medo de um lugar escuro, fechado e cheio de gente... Porque diabos eu ia ter medo disso?
Na verdade tenho angustia daquele negócio de chegar no horário da sessão (geralmente entro no cinema uns 15 minutos antes), entrar na fila pra comprar ingressos, entrar na fila pra comprar pipoca pra patroa, escolher o lugar perfeito com o angulo de visão concatenado em simetria com a disposição sonora, e o mais importante de tudo, longe dos chatos de plantão...
E pra isso, evitar os finais de semana é essencial. Nos finais de semana as comportas do inferno são abertas e turbas de adolescentes com essa nova síndrome de zoar com tudo e com todos saem às ruas. Ou então aquele bando de gente sem noção, que vai ao cinema achando que vai a um bar; conversam, atendem ao telefone, tacam o joelho nas tuas costas, e se pudessem com certeza chamariam o garçom.
E tudo isso piora hoje em dia, com o grande número de lançamentos que fazem com que as salas de cinema, fiquem duas ou no máximo três semanas com um filme em cartaz...
Assim sendo, me restam os dias de semana, que além de serem mais calmos com gente mais educada, tem sessões mais baratas.
E tem também os dvds, que convenhamos ajudaram bastante aos cinemafóbicos como eu... O único problema é que além da perda de qualidade de reprodução pela diminuição da tela e do som, você taca play e dez minutos depois já esta parando o filme por qualquer interrupção banal. Comprei o dvd do filme O Libertino e quando me dei conta, percebi que demorei 30 dias para assistir ao filme inteiro.
Que saudades do tempo que ir ao cinema era uma experiência mítica. Eu geralmente me esbaldava nas férias de verão quando minha avó me levava para assistir em salas super-lotadas os lançamentos de Loucademia de Polícia, Gremilins, Goonies, De Volta Para o Futuro e os Trapalhões. As sessões eram povoadas de um bando de crianças superdosadas de açúcar, que ríamos das piadas cretinas e nos assombrávamos com os efeitos especiais toscos. Porque aquilo que estava acontecendo na tela em frente, era algo único. Dificilmente poderia ser superado por um vídeo game, um brinquedo ou pela internet.
É... Talvez isso não passe mesmo de pura nostalgia transviada.

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27.8.07

Momento Claudia




pelo menos eles omitiram a minha barriga...

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24.8.07














Fausto Fawcett!
Talvez você que esteja lendo este blog não saiba de quem estou falando, mas Fausto foi um poeta performático nos anos 80 que idealizou a Katia Flavia, godiva de Irajá assim como trouxe à midia as inesquecíceis Marinara e Regininha Poltergeist.
Nessas performaces elas dançavam no palco semi-nuas enquanto Fausto lançava sua verborragia contando histórias despirocadas, que poucos notavam (maldito défict de atenção...)
Pois bem, a voz de Rigininha e Marinara continua a mesma mas os seus culotes... Que diferença! Fica agora as histórias músicadas de Fausto, contemporâneas, lisérgicas e subversivas. Chega de falar e vamos ler e cantar
Juliette:


Copacabana...
Copacabana...
Copacabana praia de...
Copacabana praia de...
Copacabana...
Praia...

Atenção, bombeiros, guarda costeira, polícia militar
Atividade, Atividade, Atividade
Porque eu to vendo...
Não,
tá todo mundo vendo
Que centenas de mulatas estão despencando das ondas
No Mar de Copacabana

É só dar uma panorâmica
No calhau do posto cinco tem quinhentas
No calhau do posto quatro, quatrocentos
No calhau do posto três, tem mais trezentas
No calhau do posto dois, outras duzentas

Atividade, Atividade

Me empresta essa lanterna por que ta chovendo muito
E esse resgate tem que ser iluminado...
resgate iluminado.

Há uma semana atrás um navio mexicano
Vazou tequila de frente pra orla marítima de Copacabana
O sol encarregou-se de evaporá-la
Daí que Copacabana está envolvida por uma neblina de
Tequila evaporada!
Tequila evaporada!

E há duas horas atrás um imenso iate Sargentelli
Naufragou cheio de mulatas suculentas
Daí que a orla marítima de Copacabana
Está sendo bombardeada por uma ressaca de mulatas

Mulatas afogadas na tequila evaporada
Passistas naufragadas na tequila evaporada

E assistindo às operações de resgate, existe uma
loirinha,
Uma Ninfeta Boticelli procurada pela polícia.

Um agente federal reconhece essa loirinha
E ela sai correndo assustada no meio da tequila evaporada.

Loirinha assustada na tequila evaporada
Loirinha assustada na tequila evaporada

E no meio da chuva a multidão pegunta:

- Me diz aí agente, quem é essa loirinha?
- O nome dela é Juliette

E a multidão encharcada pergunta:
- Me diz aí agente o quê que fez essa loirinha?
- Ela roubou uma holografia de Julio Iglesias segurando um Leite de Aveia Davene da embaixada de Espanha.

E a multidão encharcada pergunta:
- De onde vem essa loirinha?
- Sua mãe pertence a uma estirpe de strippers e o seu pai... é indeterminado!
A única informação que se tem dele é que pertencia à seleção holandesa de 1974.
Juliette é a filha bastarda do Carrossel Holandês, da Laranja Mecânica...

Quem será, quem terá sido o pai dessa Ninfeta Boticelli?

- Será o Rensenbrink?
- Pode ser...
- Ou terá sido Rep?
- Pode ser...
- Será o Van Hanegem?
- Pode ser...
- Ou terá sido Neesken?
- Pode ser...
- Será o Suurbier?
- Pode ser...
- Ou terá sido Krol?
- Pode ser...
- Ou terá sido Cruijff?
- Ou o goleiro Jongbloed?

O policial mata Juliette com um tiro na cabeça.
Leva a holografia pra delegacia e depois enterra o corpo da Ninfeta Boticelli na areia da praia.
No meio da Tequila evaporada...
Chuva Forte...
Tequila evaporada...
Chuva Forte...
Tequila evaporada...
Chuva Forte...
Tequila...

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21.8.07

Quem dá mais??

Ó, nesse sítio colocando-se o seu endereço de URL você fica sabendo o quanto seu blog esta valendo no mundo virtual.
O meu ta valendo a estratosférica quantia de U$ 3,387.24 ,ou seja, um xis salada e uma coca em lata.
aproveite que tá na promoção!!

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Anotações Pessoais nº1:

Sinal que estou ficando definitivamente gordo: sempre tem chocolate dentro das minhas gavetas.

cambio desligo.

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19.8.07

Momento Revista Claudia

Teste

Se você fosse um filme, que bom filme você seria?

Fiz esse teste e fiquei devéras satisfeito com o resultado.






Você é "Imensidão Azul" de Luc Besson. Você é sonhador, único. Muito sublime e encantador(a).

Faça você também Que
bom filme é você?




Eu sou isso mesmo.
Faltou dizer que sou modesto também hehehehe...
Sei lá, coisas pra se fazer quando você não ta afins de fazer nada.
Já sabe né?
Põe o resultado ali nos comentários e compartilhe conosco.
Um abraço do sonhador único, sublime e encantador!

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16.8.07

30 anos sem Elvis - always on our minds





Depois de voltar da guerra pezaroso pela perda da mãe e pelo divórcio com Priscila Presley, Elvis entrou num processo de auto-destruição que culminou na sua morte aos 42 anos em 1977, vítima de overdose.
Agora é nossa vez de cantar, você estará sempre em nossas mentes:


Talvez eu não a tenha tratado
Tão bem quanto deveria
Talvez eu não a tenha amado
Tantas vezes quanto poderia
Pequenas coisas que podia ter dito ou feito
Eu apenas não tirei tempo pra isso
Você sempre esteve em meus pensamentos
Você sempre esteve em meus pensamentos

Diga-me, diga-me que nosso doce amor ainda não morreu
Dê-me, dê-me mais uma chance para mante-la satisfeita
Satisfeita

Talvez eu não a tenha abraçado
Em todos aqueles momentos de solidão
E suponho que eu nunca tenha dito
Sou tão feliz por você ser minha
Se eu te fiz sentir em segundo plano
Garota, eu me desculpo estava cego
Você sempre esteve em meus pensamentos
Você sempre esteve em meus pensamentos

________________


You were always on my mind

Maybe I didn't treat you
Quite as good as I should have
Maybe I didn't love you
Quite as often as I could have
Little things I should have said and done
I just never took the time

You were always on my mind
You were always on my mind

Tell me, tell me that your sweet love hasn't died
Give me, give me one more chance
To keep you satisfied, satisfied

Maybe I didn't hold you
All those lonely, lonely times
And I guess I never told you
I'm so happy that you're mine
If I make you feel second best
Girl, I'm sorry I was blind

You were always on my mind
You were always on my mind

Tell me, tell me that your sweet love hasn't died
Give me, give me one more chance
To keep you satisfied, satisfied

Little things I should have said and done
I just never took the time
You were always on my mind
You are always on my mind
You are always on my mind

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11.8.07

CONSUMATUM EST











Vânia me comunicou que estava grávida...
Proclamou isto, com a mesma naturalidade de quem diz que está com fome.
Talvez para ela, o fato de uma mulher saudável com 26 anos, estar grávida, seja mesmo algo natural.
Mas enfim, ela me disse que estava grávida e ficou em silêncio. Só me estudando...
Absorvi tudo, como quem toma uma xícara de café frio e sem açúcar.
Namorava Vânia a uns 4 anos, e algumas vezes me assustava com a velocidade com que nosso relacionamento se desenvolvia.
Mas gravidez... Isso era exagero.
Vânia interrompeu meu raciocínio interrogando-me sem paciência:
- E então?
- Ãh...Você tem certeza? - na hora já me arrependi de ter perguntado aquilo; mas era inevitável. São frases que se complementam... Impossível pronunciá-las sem aquele indesejável couvert.
- Acho que sim né!? Afinal, estou um mês atrasada com a menstruação. Você vai querer que eu tire?
Era o que me faltava. A situação estava cada vez mais se parecendo com letra de música do Odair José.
- Não, claro que não.
Está aí uma situação típica para ser colocada no manual do proprietário de um relacionamento:
DEFEITO: Regras atrasadas
SOLUÇÃO: 1- Verificar se não a mau funcionamento no sistema reprodutivo.
SOLUÇÃO: 2- Escolher os padrinhos
- Quem sabe se nós formos a um médico?
- Eu sei disso. Mas quero saber se for confirmado... O que nós vamos fazer?
Vânia falava sobre nós. Falava sobre nossa prole.
Falava sobre bala de menta grudada no tapete da sala.
Falava sobre noites em claro, educação exemplar, filmes idiotas no cinema, falta de dinheiro, transferencia de ideais, preocupações com febre alta, reunião de pais e mestres, fralda cagada fedendo no lixo. Falava sobre renúncias e responsabilidades; coisas com as quais os jovens não conseguem lidar assim tão facilmente. De repente, me senti velho. Tão velho que não pude nem falar...
Confirmamos o que já sabíamos, e de certa forma, eu já receava. Vânia carregava em seu ventre, um pequeno girino, que mais tarde se tornaria numa criança linda e depois, provavelmente, um adulto deplorável.
Perdido naquele espiral de acontecimentos, providencias, exames, idéias, enxoval, escolha de nomes, avisar parentes e amigos; me senti determinado a divergir de tudo. Entrei em uma espécie de torpor valente, algo muito parecido com um estado de choque. Vânia heroicamente, assumiu o determinismo das fêmeas prenhas, e a todo o momento tentava me reconciliar com uma paternidade omitida, me mostrando bercinhos, roupinhas, sapatinhos e outros mini artefatos.
Mas a todo instante, como uma dor crônica e persistente a palavra “filho” me vinha na mente. E com ela, um complemento definitivo, de autoria de Vinícius de Moraes, seguia advertindo: “melhor não tê-los! Mas se não os temos, como sabê-lo?”.
Para mim, filho era bem isso. Como um porre... Parece que gostamos do que estamos fazendo; prosseguimos até as últimas conseqüências, mesmo com a consciência que amanhã nos arrependeremos amargamente. Temo que este porre só piore com um filho não planejado.
Numa noite, enquanto Vânia dormia nua ao meu lado, fiquei observando sua barriga já protuberante. Sempre tive medo de barriga de gestante. Parecia-me que ao mais leve toque, ela explodiria, expelindo um bebê bala para o azul infinito do espaço. Percebi então que poderia ficar horas acompanhando o compasso de sua respiração.
Aquilo definitivamente me acalmava.
E foi só então que me veio uma certa compreensão de tudo.
Notei que com o passar do tempo, pouco a pouco, e de tanto me preocupar, passei a me acostumar com a idéia. Passei a ficar estranhamente feliz.
Era como se as conseqüências, fossem realmente ínfimas diante do fato que em breve eu carregaria nos braços esta emanação humana de mim. Passei a compreender que um filho é realmente, um mal necessário.
Principalmente para que me venha definitivamente o esclarecimento que um dia, esta minha individualidade vai se extinguir, e ao mesmo tempo perdurar, de uma forma um tanto quanto esquisita.
Não me refiro a lembranças... Lembranças da nossa existência, as pessoas terão talvez por uns 50 anos... Depois disso, ninguém terá lembranças desta nossa contemporaneidade partilhada, a não ser que façamos algo definitivamente magnânimo, ou indiscutivelmente hediondo.
Também não me refiro a perdurar linhagens. Ninguém se perpetua em mais ninguém a não ser em si.
Eu me alegrava sinceramente com a possibilidade de contar meus erros e acertos a alguém cujo discernimento seria de minha responsabilidade. Fiquei feliz principalmente com a responsabilidade de amar. E este meu comprometimento, depois de alavancado, poderia ser facilmente estendido a Vânia, aos meus pais, ao meu cachorro, meus amigos, colegas de serviço, minha vizinhança, ao meu mundo enfim. E nada melhor que começar a praticar aos poucos. Nada melhor que começar a praticar com uma criaturinha tão frágil, tão desprotegida e inocente como é um bebê.
E foi basicamente assim que meu filho me mudou. O resultado alterando o produto. Jamais pensei que o indesejável fosse assim tão essencial.
Depositei minha mão no ventre de Vânia, e silenciosamente fiz a promessa de amá-los incondicionalmente para todo o sempre.

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6.8.07











Elsa & Fred- Um amor de paixão: O amor na terceira idade é o foco deste lançamento com produção Espanha/Argentina que conta a divertida história da amizade entre a espevitada Elsa e seu novo vizinho de apartamento o recém viúvo, hirto e sisudo Frederico. Elsa e Fred não se aprofunda em debates filosóficos, não acrrega bandeiras, nem nada do gênero, mas é na sua simplicidade que percebemos como as mulheres adolescem e os homens adoecem na terceira idade. Um filme que tinha tudo para ser um dramalhão cucaracha se torna num tratado de amor a vida. Filme pra te jogar pro alto, te deixar cair no chão, e ainda rir do teu tombo. Quem classificou-o como drama definitivamente só leu a sinopse, não assistiu o filme...


Ficha Técnica
Título Original: Elsa y Fred
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 108 minutos
Ano de Lançamento (Argentina / Espanha): 2005
Site Oficial: www.elsayfred.com
Direção: Marcos Carnevale
Roteiro: Marcos Carnevale, Marcela Guerty e Lily Ann Martin
Produção: José Antonio Félez
Música: Lito Vitale

Elenco
Manuel Alexandre (Fred)
China Zorrilla (Elsa)
Bianca Portillo (Cuca)
Roberto Carnaghi (Gabriel)
José Ángel Egido (Paco)
Gonzalo Urtizberéa (Alejo)
Omar Muñoz (Javi)
Carlos Álvarez-Novoa (Juan)
Federico Luppi (Pablo)
Fanny Gautier (Laura)

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Descobri esta banda, dando uma conferida no top-ten UK e achei bem legalzinha.
O vocalista parece uma cruza do Cazé da MTV com o Keith Richards e o batera com ator de filme pornô da década de 70.
E o pior, é que com esse visu de merda, eles ainda se preocupam com o Nerd do Ray...

The Hoosiers

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5.8.07

SUGESTÕES PARA ATRAVESSAR AGOSTO















Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro- e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco.É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante:ir, sobretudo, em frente.
Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir,dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons, deixam a vontade impossível de morar neles, se maus,
fica a suspeita de sinistros angúrios , premonições.Armazenar víveres, como às vésperas de um furacão anunciado, mas víveres espirituais, intelectuais, e sem muito critério de qualidade. Muitos vídeos de chanchadas da Atlântida a Bergman; muitos CDs, de Mozart a Sula Miranda; muitos livros, de Nietzche a Sidney Sheldon. Controle remoto na mão e dezenas de canais a cabo ajudam bem:qualquer problema , real ou não, dê um zap na telinha e filosoficamente considere, vagamente onipotente, que isso também passará. Zaps mentais, emocionais, psicológicos, não só eletrônicos, são fundamentais para atravessar agostos. Claro que falo em agostos burgueses, de médio ou alto poder aquisitivo. Não me critiquem por isso, angústias agostianas são mesmo coisa de gente assim, meio fresca que nem nós. Para quem toma trem de subúrbio às cinco da manhã todo dia, pouca diferença faz abril, dezembro ou, justamente, agosto. Angústia agostiana é coisa cultural, sim. E econômica. Mas pobres ou ricos, há conselhos- ou precauções-úteis a todos. O mais difícil:evitar a cara de Fernando Henrique Cardoso em foto ou vídeo, sobretudo se estiver se pavoneando com um daqueles chapéus de desfile a fantasia categoria originalidade...Esquecê-lo tão
completamente quanto possível(santo ZAP!):FHC agrava agosto, e isso é tão grave que vou mudar de assunto já.
Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se avida não deu, ou ele partiu- sem o menor pudor, invente um.Pode ser Natália Lage, Antonio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o
seu dentista. emoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros,
juras, projetos, abraços no convés à lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.
Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se , e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques-tudo isso ajuda a atravessar agosto. Controlar o excesso de informações para que as desgraças sociais ou pessoais não dêem a impressão de serem maiores do que são. Esquecer o Zaire , a ex-Iugoslávia, passar por cima das páginas policiais. Aprender decoração, jardinagem, ikebana, a arte das bandejas de asas de borboletas- coisas assim são eficientíssimas, pouco me
importa ser acusado de alienação. É isso mesmo, evasão, escapismos, explícitos.
Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente nãose deter de mais no tema. Mudar de assunto,digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco:.


Caio Fernando Abreu
(crônica escrita em AGOSTO de 1995, O ESTADO DE SÃO PAULO)

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Dia desses fui revisitar a Casa de Cultura Mario Quintana e fiquei la admirando o quartinho onde o poeta passou seus ultimos anos de vida, tentando me contaminar com seus espectros poéticos, cama baixa, maquina de escrever, um poster da Rita Hayworth, e logo no térreo a rua da praia que ele tanto gostava...
Curiosidade, Quintana estava certa vez, estava sentado em sua costumeira mesinha no bar da Andradas tomando seu cafézinho, onde era possivel abordá-lo frequentemennte pedindo auxilio nas tarefas escolares... Certa vez uma adolescente apareceu no bar com bloquinho e lápis na mão perguntando:

- Seu Quintana, será que poderíamos trocar uma idéia?
- Claro minha filha. Mas certamente eu vou sair perdendo...

Esse é o Quintana! Perde a reputação de bom velinho mas não perde a piada...
Ja postei aqui algumas poesias do Quintana, e hoje proponho a leitura desta entrevista que ele concedeu a Cristina Serra e Patrícia Bins. Mais informações você pode encontrar aqui.

_____

Cristina– Seus poemas mostram um extremo cuidado com a forma.
De onde vem esse rigor formal ?
Quintana – No colégio eu era muito vagabundo. Só estudava português, francês,
história do Brasil e história universal. O resto não me interessava absolutamente; eu
nem abria os livros. O resultado foi que no terceiro ano do curso secundário fui
reprovado. Eu teria que repetir o ano, o que não seria bom para mim, psicologicamente,porque eu ficaria atrás dos meus colegas de turma. Então o meu pai disse: “Bem, se você não quer estudar, o que é que eu vou fazer? Eu gostaria que você se formasse. Mas você só dá para escrever e fazer poesia. Se você não quer estudar, eu não o quero para vagabundo. Venha trabalhar na farmácia comigo”. Assim, durante cinco anos, eu fui prático em farmácia em Alegrete. Era um trabalho de grande responsabilidade e que me foi muito útil. Naquele tempo os farmacêuticos aviavam receitas. Naturalmente o meu pai me passava as coisas que não tinham muita responsabilidade, porque eu era guri. Eu fazia soluções que, se colocasse um pouco mais ou um pouco menos dos ingredientes, não fariam mal ao doente. O que acontecia é que o remédio ficava turvo depois. Mas eu era bem consciente. E eu atribuo a esse cuidado que eu tinha com a medida exata, o cuidado que eu tenho com a forma dos meus versos. Atribuo o cuidado extremo com a forma da poesia de Carlos Drummond de Andrade a sua habilidade métrica, pois ele estudou farmácia. Assim como Alberto de Oliveira, que também era farmacêutico e outro dos nossos grandes parnasianos, mestre da arte poética do Brasil.

Cristina – Você se recorda em que circunstância escreveu uma poesia
pela primeira vez ?
Quintana – Eu comecei a escrever desde que comecei a me entender por gente.
A poesia não deixa de ser uma forma de falar sozinho, porque havia assuntos que eu não
podia meter em conversa. Coisas que me impressionavam, como uma nuança no muro;
o reflexo dos lampiões, de noite, nas poças d’água; uma nuvenzinha que tinha ficado
parada lá no céu perdida das outras; coisas assim. Isso eu não podia falar numa
conversa, porque iam pensar que eu estava maluco. Esse é o assunto dos meus poemas.
Por isso digo que a poesia não deixa de ser uma maneira de falar sozinho. Mas a solidão
do poeta se comunica com outras solidões e é assim que se estabelece o fluxo da poesia.
É como nos presídios. Os prisioneiros que estão sozinhos nas suas celas se comunicam
com os outros através de batidas na parede. É isso. Há um grande número de poetas, que
são os leitores que gostam de poesia. Só que eles não sabem escrever e a gente fala por
eles. Poesia não é coisa do outro mundo. Um poeta é bom quando um leitor diz “é assim
mesmo que eu sinto”.
Cristina Serra - Você escreveu poesia, mas seu primeiro livro foi publicado
somente quando você estava com 34 anos, 1940. Por que essa estréia, digamos,
tardia ?
Quintana – Eu sempre fui exigente comigo mesmo, devido ao tal cuidado com a
forma. Eu achava que os poemas não estavam bons. À medida que a gente vai vivendo,
vai se depurando. O meu livro mais depurado é o mais recente, Esconderijos do tempo
(1980). Não quer dizer que com o tempo a gente melhore. Mas quanto mais velho se
fica, mas maduro e mais prático no exercício da poesia. O meu primeiro livro, A Rua
dos Cataventos, tem 35 sonetos. Se o livro tivesse 35 edições é capaz que a última
fosse completamente diferente da primeira. Eu faço muita revisão nos meus livros. Os
editores ficam danados com isso. Mas estou sempre mexendo. Da primeira para a
segunda edição da Rua dos Cataventos, eu mexi no poema que diz: “Um dia murcha
de fitar com espanto/os fios de vida que eu urdi chorando/na orla negra do seu negro
manto...” Na segunda edição eu substitui “chorando” por “cantando”. Ficou muito mais
triste. Em edições posteriores, eu tirei alguns sonetos que não me agradavam e os
substitui por outros mais recentes.
Cristina Serra – A Rua dos Cataventos é formado apenas de sonetos. Por
que você privilegiou essa forma para os poemas do seu livro de estréia ?
Quintana – Naquele tempo, devido ao movimento modernista, o soneto estava
muito desmoralizado. Desde que comecei a escrever sempre fiz poemas de todo jeito,
segundo a forma fosse mais apropriada. Uns eram sonetos, outros eram canções, outros
eram poemas francamente surrealistas, oníricos, outros eram quartetos. Então, eu achei
que devia provar que o soneto era também um poema. E fiz uns sonetos que pegaram. A
Rua dos Cataventos foi um bruto sucesso. Os críticos se enganaram pensando que eu
tivesse feito uma evolução do soneto ao poema surrealista. Nada disso. Eu tinha vários
livros prontos ao mesmo tempo. Apenas não misturei porque gosto de conservar a
unidade dos meus livros. Em todos os livros que publiquei depois, Sapato florido
(poemas em prosa, 1947), Canções (canções, 1946), Espelho Mágico (quartetos, 1948),
O aprendiz de feiticeiro (1950), havia poemas da época em que foi publicado A Rua
dos Cataventos. O meu livro mais avançado, surrealista, O aprendiz de feiticeiro, é
daquela época. Os críticos acham que eu evoluí até chegar ao Aprendiz, que era a
forma mais avançada de poesia naquela época. Então disseram: “Finalmente ele foi
conquistado por nós”. Nada disso. Eu já havia chegado antes deles.

Cristina– No seu caso, o que determina a escolha da forma para a
poesia ?
Quintana – É o poema que dá a forma. Eu não sei bem...Coisas que vêem assim
bailando, pulando, são canções. Coisas que são mais graves, mais solenes, são odes.

Cristina – A poesia é música ?
Quintana – Não é só música. Tem que ter música. Mas não como aqueles
versos insuportavelmente harmoniosos que se fazia antes. O verso, antes de tudo, tem
que ser expressivo, embora às vezes pareça cacofônico. No poema floresta, do livro
Esconderijos do tempo, falando de uma floresta eu a defino como apenas três palavras:
“dédalo de dedos”. É um bruto cacófato, quatro vezes cacófato em (...) palavras. Mas
está definida a floresta.
Cristina – Você acha que antes de fazer verso livre, o poeta tem que
saber fazer um verso clássico ?
Quintana – Não sei. Esse é apenas o meu exemplo, como de quase todos os
meus contemporâneos no Brasil. Acho que tem que ter a base do clássico. No meu
tempo, a gente começava a escrever copiando letras nos cadernos de caligrafia. Depois
de escrever caligraficamente, com o tempo, à medida que fosse crescendo a
individualidade de cada um, a pessoa adquiria uma escrita própria. É a mesma coisa
com o verso livre e com o verso clássico.
Cristina – A seu ver, quais as qualidades do poeta, se é que se pode
falar assim ?
Quintana – Eu acho que a minha qualidade, antes de tudo, é ser absolutamente
sincero. Eu nunca escrevi uma vírgula que não fosse confessional. Quando o camarada
faz uma coisa (...), por encomenda, não dá.Tem que ser um sentimento absolutamente
sincero. Se não sentir nada, não deve escrever. Eu tenho tido períodos de deserto. Não
vem nada e eu não escrevo. Digo: “Puxa, a lagoa secou e só ficou o jacaré”. Mas depois,
de repente, vem aquela coisa, aquele relâmpago, aquele flapt, o santo baixa. Mas a
gente não pode se fiar só no santo. A gente tem que ajudar o santo, que puxá-lo pelos
pés. O Paul Valery, poeta francês, dizia a mesma coisa de outro jeito: que os deuses nos
dão o primeiro verso, os outros a gente tem que arranjar. Às vezes, o poeta sai pronto.
Fiz um soneto que é um dos meus sonetos mais apreciados, inteiramente clássico com a
mesma rima nos quartetos, numa noite de insônia, sem papel, sem sono, no escuro.
Quando acordei, eu disse: “Olha, acho que fiz um soneto”.

Patrícia – Você sobreviveu a vida inteira de escrever: em jornais,
revistas, traduzindo excelentes livros e, claro, como poeta. Se viesse ao mundo de
novo, escolheria o mesmo modo de viver (e de sobreviver)?
Quintana – O mesmíssimo modo, sem tirar nem pôr.

Cristina – Você trabalhou com Érico Veríssimo, na Livraria Globo,
como tradutor. Poderia nos falar sobre esse trabalho. ?
Quintana – Não se dá valor ao trabalho do tradutor. Isso sempre me deixou
indignado. A tradução é uma coisa muito séria. Quando a gente consegue fazer uma
tradução boa, aceitável, isto é, nada mais, nada menos, que a estréia daquele autor
traduzido na literatura de língua portuguesa. Isso as pessoas, os críticos, não levam em
conta. Eu traduzi clássicos como Voltaire, Proust, Balzac, Someset Maugham, Conrad e
Virginia Woolf, entre outros. Sempre com muito cuidado. Tanto que o Alceu Amoroso
Lima disse que eu tinha conseguido o impossível que era traduzir Proust. Um crítico
holandês me escreveu, felicitando-me pela tradução de Proust. Ele disse que passava,
sem sentir, do Proust para mim, que estava lendo Proust e, daí a pouco, passava para a
minha tradução. Eu traduzi quatro volumes do Proust. Os outros foram traduzidos por
Manuel Bandeira e por Carlos Drummond de Andrade. Fiquei em ótima companhia e
acho que Proust não pode se queixar da gente, pelo menos da parte do bandeira e do
Drummond. Ao todo, eu traduzi 138 livros.

Patrícia – Que obras e/ou autores mais ama ou amou ?
Quintana – Antonio Nobre, Cecília Meireles, Camões, Garcia Lorca,
Guilhaume Apollinaire, Verlaine, Racine, Shakespeare, O Novo testamento,
Dostoievski.

Patrícia – Considerado feiticeiro e mágico, o que sente ante o mistério
de criar ?
Quintana – Deslumbramento e susto. Digo “susto”, porque na verdade, nunca
passei de um aprendiz de feiticeiro.

Patrícia – A solidão é o silêncio de um bar cheio de gente ?
Quintana – a solidão é o silêncio que a gente faz dentro de si mesmo, em
qualquer ambiente, seja barulhento ou não.

Cristina – Por que você gosta tanto de escrever à noite ?
Quintana – sou um lobisomem da poesia. Escrevo de meia-noite em diante, até
às três ou quatro horas. Às vezes, a poesia vem nas ocasiões mais impróprias e eu tomo
nota do relâmpago num papelzinho; outras vezes, me esqueço pelo caminho. Se eu não
esqueço, escrevo à noite, no silêncio. À noite, a gente só é visitado por fantasmas e eles
são silenciosos...

Patrícia – Que obra sua lhe deu maior prazer ? Maior angústia ?
Quintana – Todas elas.

Cristina – Você tem preferência por algum livro seu ?
Quintana – Eu não sou um poeta satisfeito. Eu sempre procuro ir mais adiante.
A poesia é o mais adiante. Não tenho preferência por nenhum livro meu, mas acho que
o último é o mais depurado, o que tem mais vivência, mais técnica. Eu escrevi uma vez
que um poema é tanto mais belo quanto mais parecido for com o cavalo, porque o
cavalo é a obra perfeita da criação. O cavalo não tem nada de mais, nem nada de menos.
Um poeta em que não se pode acrescentar nem tirar uma palavra está bom.

Patrícia – O futuro, como o imagina ?
Quintana – O futuro é uma espécie de banco, ao qual vamos remetendo, um por
um, os cheques de nossas esperanças. Ora! Não é possível que todos os cheques sejam
sem fundos...

Patrícia – E a sua visão do outro mundo ? De Deus, deuses, dos anjos,
do diabo ?
Quintana – Oportunamente, saberei...Tenho até muita curiosidade – mas
nenhuma pressa – de saber como será o outro mundo.
Deus está em toda a parte. Mas por que procurá-lo no mundo exterior ? Se ele está em
toda a parte, está dentro até de cada um de nós e a cada um compete descobri-lo, dar-lhe
a maior parte possível em nossa vida terrana. Do contrário, o nosso Deus interior pode
até morrer, como acontece com os ateus, os positivistas, todos os materialistas. Eles não
sabem que são o sepulcro de Deus. A falar verdade, não importa que a gente acredite ou
não em Deus, mas se Deus acredita na gente. De minha parte, só acredito mesmo é na
segunda Pessoa da Santíssima Trindade, no Deus Vivo, pois temos testemunho histórico
de que Jesus Cristo viveu entre nós. Quanto aos deuses pagãos, morreram de fato, pois
os poetas deixaram de invocá-los. Dos anjos não posso absolutamente duvidar, em vista
da insistência com que aparecem em meus poemas. Santo da minha devoção ? São
Jorge, com seu cavalo e seu Dragão. Sou devoto dos três.

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