30.5.07

40º















Desenvolvi um método para estancar esta maldita coriza.
Enfiei um absorvente intimo interno em cada buraco do nariz, e deixei a cordinha pendurada pra fora.
Algumas vezes, é preciso abrir mão do senso de ridículo por um breve alento de bem estar.
Indago-me como pode, um pequeno vírus microscópico invisível aos olhos, derrubar imensos Golias como nós?
Transforma-nos numa fábrica de muco, tolhe nossa determinação, jogando-nos derrotados em uma cama debaixo de vinte camadas de cobertores, ainda tremendo de um frio febril.
Frio febril...
Tente dizer isto em voz alta.
É tão difícil quanto manter os olhos abertos sem lacrimejar.
Lembro-me de uma vez, que fiquei gripado com dor de garganta. Tomei tanto antibiótico, que peguei uma infecção intestinal. Passei dois dias, sentado no vaso sanitário, ardendo em febre, vomitando, com um balde enfiado na cabeça. Repensei minhas convicções a respeito da eutanásia.
Mas se a gripe por si já é ruim, o que dizer então dos anti-histasmínicos? Certamente só tomamos estes medicamentos porque nunca lemos de fato uma bula de remédio. Os efeitos colaterais são realmente encorajadores. Sangramentos nasais, inchaços, desmaios, taquicardia, dismenorréia ( isso deve ser bastante desagradável), dor de cabeça e por aí vai. É algo como: se tomar, morre; se não tomar, pede para morrer.
E quando você adquire a ciência de que com um único e reles espirro, uma pessoa pode espalhar cerca de 10 milhões de vírus e bactérias a uma distância de até 4 metros à uma velocidade de 160km/h, você percebe que o negócio é se conformar. Porque não adianta, em qualquer ajuntamento urbano que você por ventura se encontre, estará a mercê de levar uma tossida no rosto, ou aspirar algum perdigoto alheio infectado. A temperatura cai e a ausência de radiação ultravioleta faz com que o vírus sobreviva mais tempo para ser transmitido de hospedeiro para hospedeiro...
A humanidade também já experimentou grandes surtos do vírus influenza. Têm-se registros da gripe espanhola, gripe asiática e da gripe de Hong Kong. A promessa da próxima grande crise epidemiológica é gripe aviária, na qual diversos frangos já tiveram que ser sacrificados e acabaram pagando o pato (admito, essa foi triste...).
Pois muito bem, vamos finalizar que já to tendo uma recaída. Ficar gripado é sinônimo de no mínimo dois dias de muito catarro, muito espirro e muita indisposição. Quando se está desse jeito o melhor mesmo é pedir férias de você.
Um abraço e atchoooooo!
Desculpa ae!

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19.5.07












O frio chega.
Mais um inverno que bate a porta.



Os corpos se aproximam buscando compartilhar calor.
E para cooperar com a campanha do agasalho, e inebriado por este espírito erótico invernal, posto aqui a elegia de John Donne:
P.S. Leia em voz alta


Indo para o leito

Vem,
Dama,
vem que eu desafio a paz;
Até que eu lute,
em luta o corpo jaz.
Como o inimigo diante do inimigo,

Canso-me de esperar se nunca brigo.
Solta esse cinto sideral que vela,
Céu cintilante,
uma área ainda mais bela.
Desata esse corpete constelado,
Feito para deter o olhar ousado.
Entrega-te ao torpor que se derrama

De ti a mim, dizendo:
hora da cama.
Tira o espartilho,
quero descoberto
O que ele guarda quieto,
tão de perto.
O corpo que de tuas saias sai
É um campo em flor quando a sombra se esvai.

Arranca essa grinalda armada e deixa
Que cresça o diadema da madeixa.
Tira os sapatos e entra sem receio
Nesse templo de amor que é o nosso leito.

Os anjos mostram-se num branco véu Aos homens.
Tu,
meu anjo,
és como o Céu De Maomé.
E se no branco têm contigo
Semelhança os espíritos, distingo:
O que o meu Anjo branco
põe não é
O cabelo mas sim a carne em pé.

Deixa que minha mão errante adentre.
Atrás, na frente, em cima, em baixo, entre.
Minha América!
Minha terra a vista,
Reino de paz,
se um homem só a conquista,
Minha Mina preciosa,
meu império,
Feliz de quem penetre o teu mistério!
Liberto-me ficando teu escravo;
Onde cai minha mão,
meu selo gravo.
Nudez total!
Todo o prazer provém De um corpo
(como a alma sem corpo)
sem Vestes.

As jóias que a mulher ostenta
São como as bolas de ouro de Atalanta:
O olho do tolo
que uma gema inflama
Ilude-se com ela e perde a dama.

Como encadernação vistosa,
feita Para iletrados
a mulher se enfeita;
Mas ela é um livro místico
e somente A alguns
(a que tal graça se consente)É dado lê-la.
Eu sou um que sabe;
Como se diante da parteira,
abre-Te:
atira,
sim,
o linho branco fora,
Nem penitência nem decência agora.
Para ensinar-te
eu me desnudo antes:
A coberta de um homem te é bastante.

John Donne
Meeeeeeestre!!!


_______




E para encerrar:

Nenhum homem é uma ilha …


Nenhum homem é uma ilha isolada;
cada homem é uma partícula do continente,
uma parte da terra;
se um torrão é arrastado para o mar,
a Europa fica diminuída,
como se fosse um promontório,
como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria;
a morte de qualquer homem diminui-me,
porque sou parte do gênero humano.
E por isso não perguntes por quem os sinos dobram;
eles dobram por ti

John Donne

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13.5.07

Pequena Miss Sunshine













Não sei quanto a vocês, mas eu adoro filme esquisito...
São os que geralmente me surpreendem e me emocionam. Filmes normais não me comovem, e os filmes com pretensão de serem um espetáculo geralmente me decepcionam...
Pois Pequena Miss Sunshine é um filme esquisito.
Um filme sobre gente esquisita. Gente cheia de defeitos visíveis, e qualidades intrínsecas. Mas principalmente, Pequena Miss Sunshine, é um filme sobre gente. É uma comédia onde se ri da condição humana, nem sempre politicamente correta; o filme faz graça com suicídio, homossexualidade, com a aborrescência, com o fracasso, com a rabugice. O roteiro é bem simples: uma família de desajustados sociais vai a Califórnia inscrever a caçula no concurso de beleza infantil Miss Raio de Sol.
Não vou ficar aqui descrevendo os personagens porque acho que aqui reside a maior graça do filme... Cada um deles precisa ser descoberto da sua maneira, por cada um de nós.
Pequena Miss Sunshine é um filme extremamente alto astral, daqueles que te exorciza das faltas humanas e te deixa pronto pra enfrentar um novo dia...

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12.5.07

Momento Lair Ribeiro...

Um videozinho emocionante patrocinado pela empresa de filtros Metal Sinter.



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5.5.07

Hannibal Rising- A Origem do Mal













Para quem gostava da trilogia do canibal Hannibal Lecter ( Silêncio dos Inocentes, Dragão Vermelho, Hannibal) vai se decepcionar com as origens do anti-herói mais requintado e sanguinário do cinema...
Primeiramente porque o filme, obviamente não conta com a participação de Anthony Hopkins, agora jovem e interpretado por Gaspard Lilliel, que para mim fez um Hannibal mauricinho, forçado, e sem a devida intensidade necessária para o papel...
Segundo, porque este filme não foi baseado nos livros de Thomas Harris, e sim num roteiro falcatrua adaptado de Harris, calcado num pequeno trecho de um de seus romances.
Hannibal- A Origem do Mal é mais um daqueles tantos filmes de vingança que agente vai assistir torcendo pelo mocinho...
Na história, Hannibal se refugia ainda pequeno, da perseguição nazista com sua família, numa cabana no frio e inóspito leste Europeu. Depois de um terrível acidente, restam apenas Hannibal e sua pequena irmã Micha na cabana que acaba sendo invadida por mercenários bandoleiros assassinos. Apenas Hannibal sobrevive a traumatizante experiência e vai procurar abrigo com uma tia chinesa que mora na França - Gong Li (Memórias de uma Gueixa) que definitivamente salvou o filme.

Hannibal então passa a estudar medicina, se aprimora nas artes marciais, e vai vingar seus traumas recolhidos.
Ou seja, Hannibal Rising- A origem do mal, definitivamente começou mal...

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