31.1.07


Escritor Sidney Sheldon morre nos EUA, aos 89 anos
31/01 - 08:03




LOS ANGELES (Reuters) - Sidney Sheldon, um dos mais conhecidos escritores do mundo, morreu na terça-feira, na Califórnia, aos 89 anos, de complicações causadas por uma pneumonia. Ele estava no Eisenhower Medical Center, em Rancho Mirage, perto de sua casa em Palm Springs, de acordo com um agente da Warren Cowan and Associates.

Sheldon tornou-se um ícone americano nos anos 1970, com livros como 'O Outro Lado da Meia-Noite' e 'A Herdeira', bestsellers que abordaram intrigas internacionais e a liberação sexual da era. Mulheres fortes costumavam ser seus personagens principais.

Ele publicou 18 livros e vendeu 300 milhões de cópias. As obras de Sheldon foram traduzidos para dezenas de línguas em 180 países, o que lhe rendeu a classificação de 'autor mais traduzido do mundo' pelo Guinness.

Em 1963, ele se voltou para a televisão, escrevendo roteiros para o 'The Patty Duke Show'. Um ano depois, criou, produziu e escreveu o programa 'Jeannie é um Gênio'.


Sidney Sheldon já vendeu mais de 275 milhões de livros em todo o mundo. É o único escritor que recebeu três dos mais cobiçados prêmios da indústria cultural americana: o Oscar (cinema), o Tony (teatro) e o Edgar (literatura de suspense). É atualmente o autor mais traduzido em todo o planeta.


LIVROS

1970 A Outra Face
1974 O Outro Lado da Meia Noite
1976 Um Estranho no Espelho
1977 Linha de Sangue
1980 A Ira dos Anjos
1982 Mestre do Jogo
1985 Se Houver Amanhã
1987 Capricho dos deuses
1988 As Areias do Tempos
1990 Memórias da Meia-Noite
1991 O Reverso da Medalha
1992 As Estrelas Cadentes
1994 Nada Dura para Sempre
1995 Manhã, Tarde e Noite
1997 O Plano Perfeito
1998 Conte-me Seus Sonhos
2000 O Céu Está Caindo
2005 O Outro Lado de Mim -Livro de Memórias



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Sou grato a Sydney Sheldon, já que imputo à ele minha iniciação literária...
Lembro quando fui passar as férias de verão, pequenininho na casa de praia de minha avó, e uma bela noite sem nada pra fazer, peguei ao acaso um livro qualquer na sua estante e comecei a ler.

O livro era A Outra Face que recomendo, muito embora já não lembre direito dele...

Os livros de Sydney possuiam uma característica que hoje se percebe nos autores atuais, como Dan Brown e companhia.
Os capítulos param no apíce, dando ao leitor aquele gostinho de quero mais. E assim, segue-se o livro, um capítulo leva ao outro- e assim por diante- até o final.
Sydney é o Paulo Coelho americano, escreve livros para as massas, com a diferença que Sydney não tem os grandes surtos megalomaníacos do nosso roedor tupiniquim
Depois com o tempo, o gosto do leitor tende a melhorar, assim como a sua exigência literária...
Acredito que é melhor começar com Sydney, do quê com Machado de Assis.
Buenas, valeu Sydão!

"Se alguma coisa parece boa demais para ser verdade, então provalvemente é mesmo verdade"

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25.1.07

Desafio você, a não balançar o pézinho quando ouvir Grace Kelly do grupo/cantor Mika:


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23.1.07

Um pouco de comédia stand up para alegrar o dia:



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22.1.07

Aqui vai um trecho obsceno e por consequencia chocante, da grande escritora Hilda Hilst:

Trecho de

Contos D'Escárnio

Textos Grotescos

de Hilda Hilst




O que eu podia fazer com as mulheres além de foder? Quando eram cultas, simplesmente me enojavam. Não sei se alguns de vocês já foderam com mulher culta ou coisa que o valha. Olhares misteriosos, pequenas citações a cada instante, afagos desprezíveis de mãozinhas sabidas, intempestivos discursos sobre a transitoriedade dos prazeres, mas como adoram o dinheiro as cadelonas! Uma delas, trintona, Flora, advogada que tinha um rabo brancão e a pele lisa igual à baga de jaca, citava Lucrécio enquanto me afagava os culhões e encostava nas bochechas translúcidas a minha caceta: ó Crasso (até aí o texto é dela) e depois Lucrécio: "o homem que vê claro lança de si os negócios e procura antes de tudo compreender a natureza das coisas". A natureza da própria pomba ela compreendia muito bem. Queria umas três vezes por noite o meu pau rombudo lá dentro. E antes desse meu esforço queria também a minha pobre língua se adentrando frenética naquela caverna vermelhona e úmida. Empapava os lençóis. Era preciso enxugá-la com uma bela toalha felpuda antes de meter na dita cuja. Na hora do gozo ria.

isso não é normal Flora.

bobinho! Isso é vida, alegria, o amor é alegre, Crassinho.

Histérica e sabichona dava gritinhos e rápidos aulidos, e quando tudo acabava, sentava-se sóbria na beirada da cama:

as causas judiciais demoram tanto para serem solucionadas, meu Crasso, tem algum numerário aí para mim? assim que receber dos meus clientes te pago. O seu único cliente era eu e claro que eu pagava. Afinal não me fazia mal ouvir Lucrécio de vez em quando, se a atriz discursante era dona daquela pomba molhada e faminta. Claro que nem todas as soi-disant cultas são assim tão chatas. Tive as cultas refinadas e originais também. Mas que mão de obra, meu pai! Uma delas é inesquecível. Josete. Inesquecível por vários motivos. Mas principalmente pelo gosto exótico na comida e no sexo. Ela adorava tordos com aspargos. E pastelões de ostras. Era preciso que eu telefonasse uma semana antes para os maîtres dos tais restaurantes. Tordo?! Nunca sabiam se era um pássaro ou um peixe. Eu imagino hoje que ela sempre acabava comendo um sabiá. Com aspargos. O pastelão de ostras era mais fácil. Mas os vinhos para acompanhar aquilo tudo! Josete entendia de vinhos como se tivesse nascido embaixo duma parreira de Avignon. Depois desse inferno todo, ainda tínhamos que dançar, porque é delicioso dançar com você amor, se você tivesse mais tempo...

tenho todo o tempo do mundo, querida (talvez tivesse, mas nem tanto!)

Tinha mania de uma música: You've changed, e era aquela xaropada até às duas da manhã mais ou menos, quando eu já havia mergulhado meus dedos várias vezes na sua suculenta xereca. Abria discreta e elegante as pernas nas boates, embaixo da mesa, enquanto engolia com avidez aqueles vinhos caríssimos. Sorrindo soltava um pífio arroto de tordos e ostras abafado entre os seus dois dedinhos, enquanto os meus (dedos naturalmente) beliscavam-lhe a cona. Muitas beliscadinhas, muito dedilhado até que ela gozava escondendo o gozo e simulando um segredo e enchendo de bafo, gemidos e saliva a concha do meu ouvido. Eu dizia com a caceta dura e espremida entre as calças:

vamos embora, hen bem?

tá tão gostoso, amor

eu sei, Josete, mas olha só o meu pau

não seja grosso, Crasso

E aí eu tinha que começar tudo de novo, não sem primeiro ouvi-la pedir as sobremesas e os licores. Depois de Josete ter gozado umas dez vezes entre sabiás e musses e álcoois dos mais finos que me custavam um caralhão de dinheiro, levantava-se garbosa, Espártaco antes da derrocada final, naturalmente. Eu ia atrás meio cego mas ainda sedento. Um tal de Ezra Pound, poeta norte-americano, era o xodó de Josete. Ô cara repelente. Um engodo. Invenção de letrados pedantescos. No primeiro dia que ela citou o tal poeta eu lhe disse: meu tio Vlad quando eu era molequinho, tinha crises de loucura quando ouvia esse aí falando numa rádio italiana. O cara era um bom fascistóide, você sabia?

bobagens, Crassinho, o homem foi um gênio.

Para agradá-la, pedi que me emprestasse algum livro dele. Emprestou Do Caos à Ordem, cantar XV. Aquilo era uma pústula, uma privada de estação em Cururu Mirim. Senão, vejam:

"O eminente escabroso olho do cu cagando

[moscas,

retumbando com imperialismo

urinol último, estrumeira, charco de mijo sem

[cloaca

................. o preservativo cheio de baratas,

tatuagens em volta do ânus

e em círculo de damas jogadoras de golfe em

[roda dele."

Josete adorava. Os olhinhos cor de alcaçuz, úmidos, tremelicavam. A boca repetia lentamente (em inglês, lógico) esses últimos dois versos do tal gênio: "tattoo marks around the anus, and a circle of lady golfers about him". Eu achava um lixo, mas não queria me desentender com toda aquela boceta-chupeta que literalmente, quando ativada, abraçava e quase engolia o meu pau.

tudo bem, Josete, se você gosta... de gustibus et coloribus etc.

pois gosto tanto, amor, que vou te mostrar a que ponto vai minha reverência por esse autor admirável

Abatido, já me imaginei desperdiçando aquelas horas a folhear idiotias, ainda mais em inglês. Estávamos no apartamento de Josete. Pensei: é agora que ela vai se levantar e esparramar os livros do nojento aqui na cama. E adeus mesmo, vou inventar uma súbita náusea e me mando. Surprise! Ah, como a vida me encheu de surpresas! Josete deitou-se de bruços e ordenou lacônica:

pegue aquela grande lupa lá na minha mesinha.

Lupa?

Lupa, sim, Crassinho.

Então peguei.

faz um favor, benzinho, abra o meu cu.

como?

oh, Crassinho, como você está ralenti esta noite

e o que eu faço com a lupa?

a lupa é pra você olhar ao redor dele.

ao redor do seu cu, Josete?

evidente, Crassinho.

Foi espantoso. Ao redor do buraco de Josete, tatuadas com infinito esmero e extrema competência estavam três damas com seus lindos vestidos de babados. Uma delas tinha na cabeça um fino chapéu de florzinhas e rendas.

não acredito no que estou vendo, Josete, você tatuou à volta do seu cu pra quê?

homenagem a Pound, Crassinho

mas isso deve ter doído um bocado!

the courageous violent slashing themselves with knifes ( que quer dizer: os violentos corajosos cortando-se com facas. Continuação do Canto XV).

coma meu cuzinho, coma meu bem, andiamo, andiamo (cacoetes de Pound)

Aí achei o cúmulo. "Jamais, meu amor, machucaria essas lindas damas". Josete começou a chorar.

ó Crasso, você é o primeiro homem a quem eu mostro esse mimo, essa delicadeza, essa terna homenagem ao meu poeta, andiamo, andiamo in the great scabrous arse-hole (no grande escabroso olho do cu)

Aí pensei: essa maldita louca vai começar a choramingar mais alto e o prédio inteiro vai ouvir. Enchi-me de coragem e estraçalhei-lhe o rabo com inglesas ou americanas (who knows?) e babados e o chapéu, não naturalmente sem antes lhe tapar a boca, porque tinha certeza que ela ia zurrar como um asno. Zurrou abafada, mas eu podia discernir algumas palavras. Ela zurrava: ó (leia-se aou, aou, aou, entonação inglesa) Aou Ezra, aou my beloved Ezra! Nunca entendi por que Josete quando citava Pound colocava a entonação inglesa. Também nunca perguntei. Certamente o nojento era o Shakespeare dela.

(...)

(Contos D'Escárnio/Textos Grotescos - SP: Siciliano, 1990.)

18.1.07















Ultimamente tenho visto muitos filmes, mas realmente poucos me inspiram a escrever depoimentos aqui no sítio.
Pouca ousadia, muita ousadia (o que acaba forçando a barra), muita seriedade, muito besteirol... Os diretores dificilmente conseguem acertar a mão e realizar um filme inspirador, coerente e conciso.
Gosto de assistir aos blockbusters, nem que seja pra dizer que é uma porcaria, assim como gosto de assistir a uns filmes mais cabeça, cuidando pra não exagerar na dose e me perder na viagem.
Mas principalmente gosto de assistir aos filmes com um orçamento mais humilde, com atores menos canastrões e uma história mais interessante.

É o caso de Um Crime de Paixão- Inglaterra- 2003 (The Reckoning), filme que pode passar despercebido nas prateleiras da locadora, e que merece ser visto não só pela presença de Willem Dafoe, Brian Cox ou Paul Bettany no elenco.
Nos anos de 1300 e antigamente, um padre (Bettany) se rende a tentação e leva uma de suas fiéis (infiel ao marido) para a cama...
Pego no flagra, ele foge de sua cidade e se junta a uma trupe de atores que seguem de cidade em cidade encenando peças bíblicas. Na primeira cidade que visitam, presenciam a sentença de morte de uma mulher surda e muda; condenada por assaltar e matar um garoto pré-adolescente.
Os atores resolvem então para aumentar o Ibope de sua apresentação, encenar a versão original do crime e acabam por descobrir as incongruências no caso.
O suspense em si é fraco e de fácil solução.
O que vale são os questionamentos religiosos, a ambientação putrefata, e a passividade da massa diante de ofensas escabrosas.
Baseada num livro de Barry Unsworth o filme lembra bastante o Nome da Rosa.
Anote aí, para fazer seu kit de salvação do carnaval.

13.1.07




















Domínio sob o Condomínio

Quem sabe o que nos leva a tomar as mais estranhas decisões ou desenvolver os mais esquisitos gostos? Tome o exemplo de Valter. O homem tinha tara por reunião de condomínio.
Quando via uma convocação, já começava a suar frio. Corria para conferir na agenda se tinha algum compromisso marcado, e se tinha, mesmo assim desmarcava por mais intransferível que fosse. Valter chegou ao cúmulo de faltar ao batizado da afilhada, para discutir qual seria a cor do uniforme do pessoal da limpeza.
Presente na primeira chamada, seu nome já figurava encabeçando a ata. Entrava no salão de festas esfregando as mãos suadas e sentava-se na primeira cadeira, proferindo sempre a mesma frase:

- E então? O que temos para hoje?

Discutia os prós e os contras de tudo, colocava a honestidade do síndico em dúvida, e sendo assim, acabou comprando briga com o prédio inteiro.
Pelo menos uma vez por mês, Valter batia de porta em porta com uma folha na mão querendo convocar uma reunião extraordinária. Por essas e por outras, passou a ser conhecido como - O Mala do 601.
Tudo estava prestes a mudar quando seu vizinho de porta foi morar na zona sul e a estonteante Maria Augusta veio para ocupar o apartamento vago. Já na sua conturbada mudança, as paredes dos corredores foram riscadas, e metade dos móveis foi abandonada no corredor por não caber no apartamento. Quando chegou do trabalho, Valter teve que pular um sofá para poder entrar em casa. Ficou furibundo com aquela balbúrdia, e foi direto bater na porta da nova vizinha: Quando ela atendeu, Valter já engatou:

- Boa noite. Meu nome é Valter, sou seu vizinho e...

Valter perdeu a linha de pensamento quando viu Maria Augusta loira, linda, enrolada numa toalha azul claro pingando água dos cabelos.

- Olá vizinho! Meu nome é Maria Augusta. Mas pode me chamar de Guta.
- Ãh... Como?
- Guta.
- Oh! Sim, entendi errado. Pois Dona Guta...
- Dispenso a dona. Me envelhece uns 30 anos. Você mora aqui do meu ladinho né? Puxa como é bom ter gente de bem morando assim tão próximo da gente... Olha o senhor me desculpe, mas eu tenho que entrar... Estou molhando todo o carpete. Até logo! Um beijo!

Bateu a porta na cara do Valter, e a mudança acabou ficando pelo corredor.
No outro dia às 2:45 da manhã, fortes batidas de martelo ecoavam pelo prédio. Valter acordou invocado. Calçou suas pantufas, vestiu o chambre do Corinthians e novamente bateu na porta do 602. Guta atendeu:

- Seu Otávio! Que bom que o senhor veio me ajudar!
- É Valter. Dona Gu...
- Dona não!
- Guta. Olha me desculpa, mas a senhora esta martelando e são três da matina! Eu tenho que acordar cedo amanhã.
- Ah seu Valter... Acontece que eu não consigo dormir sem a foto do meu santo protetor em cima da cama. Eu estava esperando todos dormirem para que assim ninguém notasse minhas marteladas. O senhor poderia me ajudar?

Valter não entendeu aquela lógica inversa. Atordoado de sono entrou no apartamento de Guta. Martelou uns 4 pregos até ela concordar que o local estava bom. Finalmente pendurou o quadro do bendito Santo Antonio em cima da cama.
No outro dia, o síndico entregou uma multa para Guta por martelar em horário de silêncio. Ela refutou a sanção dizendo que quem havia martelado de fato fora o seu vizinho. Valter recebeu sua primeira multa condominial em 25 anos sem poder reclamar.

Parece que este foi o estopim daquela guerra unilateral que passou a ser travada no edifício. Possesso, Valter desistiu da política de boa vizinhança. Pediu que o síndico intercedesse, mas como ele não era muito bem quisto, acabou sendo ignorado. Apelou então pro abaixo-assinado, mas aí já era tarde demais... Guta havia feito amizade com todas as mulheres do prédio e os homens não a queriam despejada por motivos bastante óbvios.

Assim, assistiu impotente a anos de disciplina e zelo irem por água abaixo. De repente os demais moradores passaram a viver com suas portas abertas, sentados na sala convidando quem passava no corredor pra tomar uma cervejinha. No prédio, ecoava constantemente o som da banda Calypso e recendia um cheiro constante de cebola.
Valter passou a sofrer dos nervos. Foi aconselhado por seu médico a mudar os velhos hábitos, porque um enfarte era iminente. Resolveu deixar aquele cortiço e se mudar para o campo. Os filhos já estavam criados e a mulher queria apenas sossego...
Arrumou as malas, deixou instruções para cuidarem das plantas, e foi carregar o carro. Quando amarrava a última mala no capô, sentiu três cutucadas no ombro. Era Guta:

- Seu Valter, me desculpe a intromissão, o senhor vai mesmo se mudar?
- Vou Guta. Vou embora daqui. Estou doente e preciso de paz.
- Puxa... Espero que o senhor fique bom. Pode ficar tranqüilo que eu cuido das coisas por aqui.
- Olha Guta, posso te pedir um favor?
- Claro.
- Eu gostaria que a senhora fosse à próxima síndica do prédio. Poderia realizar este sonho meu?
- Sim seu Valter.
- Muito obrigado. Adeus.

Valter partiu sem olhar para trás.
Dois anos depois, ele voltou em visita à cidade. Na frente do lugar onde passou os melhores anos de sua vida, ele via agora um prédio abandonado que servia de moradia para os mendigos. Desceu do carro, chutou o compensado que bloqueava a porta e entrou.
Foi subindo pelas escadas fétidas, tentando não pisar nas seringas abandonadas nos degraus. Finalmente chegou ao corredor do sexto andar. O apartamento 601 não tinha mais porta. Os móveis também foram saqueados, as louças do banheiro quebradas, e todas as paredes estavam pichadas. Valter pegou um lenço do bolso, molhou na saliva e começou a esfregar uma parede.
Viu um vulto na entrada.

- Seu Valter?

Era Guta.

E seu coração bombeou pela última vez.

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Segue um pequeno curta de animação mostrando como o amor pode ser complicado, sem sentido mas assim mesmo maravilhoso- divirtam-se:




3.1.07

















Dar (ou levar) um fora

Acabar um caso é um problema; todos costumam acabar mal, e a mulher que é deixada sofre -ah, como sofre. Se foi por outra, dá vontade de matar os dois, e se foi apenas para ficar só, é a maior ofensa que um homem pode fazer.Ninguém presta atenção aos pequenos sinais que anunciam o início do fim, e leva-se um susto quando ele acontece. E tem que ter aquela conversa -aquela- quando a vontade é de sumir sem dizer nada; se o namoro foi rápido e sem grande importância, menos paciência ainda para explicar o que não tem explicação. Ah, se fosse possível mandar um recado por um amigo ou falar tudo por telefone, bem rápido; mas ninguém entende que está sendo deixado, é preciso falar com todas as palavras. E ficou combinado que para terminar um relacionamento tem que haver um encontro para, olhos nos olhos, dizer a verdade -uma verdade, aliás, difícil de ser dita-, e que se resume em "não te quero mais"; tem pior?Dizer é difícil, e não existe mentira para que o outro não sofra muito.Se disser "estou trabalhando muito, não dá para sair à noite", ela vai sugerir que se vejam nos fins de semana. O argumento "mas nos fins de semana eu fico com meus filhos" não vai resolver, ela pode se oferecer para ir junto; ah, por que é tão difícil aceitar que alguém possa não nos querer mais?Talvez a solução seja dizer apenas um "olha, foi um engano, pensei que gostasse de você, mas não é bem assim, desculpe". Ela pode questionar o charme que você jogou no início, as palavras de amor que usou, as esperanças que deu; mas então, era tudo mentira? Bem, mentira não era, mas as coisas mudam, tudo muda; e a camiseta, a escova de cabelo, a escova de dentes, como é que faz? Propor ficarem amigos é de uma total indelicadeza, e se ela for prática -e é bom que seja-, o melhor que tem a fazer é dizer um tudo bem/tchau bem rápido, descer e pegar um táxi, torcendo para que passe um na hora, como nos filmes americanos.Depois que se recebe um fora -porque é um fora- não se deve procurar explicações: ah, no fundo ele teve medo de uma mulher tão maravilhosa; vai ver é carente, ou foi maltratado pela mãe na infância. Perca seu tempo, se não tiver nada de melhor a fazer, mas atenção: sofrer, nem pensar.E pense: nem todas as pessoas têm a obrigação de achar você bonita, interessante, sedutora, irresistível; a vida é assim, o mundo tem 6 bilhões de habitantes e é impossível que todos, absolutamente todos, sucumbam a seus encantos; lembre dos homens que você já dispensou, pense que a vida é assim mesmo, junta, separa, junta com outro, separa de novo, e guardar ódio no coração leva ao infarto.Ah, seria tão bom se tivesse dado certo; mas, já que não deu, vire a página e olhe em volta -quanta gente gostaria de conhecer você, já pensou nisso?E quando for possível, lembre dele apenas como alguém que, exatamente como você, também estava querendo encontrar uma pessoa legal para ficar junto; só que você não era a pessoa certa -acontece. E, do fundo do seu coração, deseje que ele acabe encontrando.Afinal, estamos todos no mesmo barco, procurando, todos, a mesma coisa: um pouco de felicidade.

FSP Cotidiano – Danuza Leão
20/11/05


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Taí o clipe do Gnarls Barkley- Gone Daddy Gone, contando uma singela história de paixão platônica entre uma pulga e uma loiraça belzebu: