28.12.05



















Poema de Verão


Ela se chama Fogueira
Tem lábios sedentos de ardor
Quando se acende, consome...
E se apaga num estupor
Deitada ela só lamenta
Ter queimado um outro amor.




Sicofantia


Beijo-lhe a ponta dos dedos
Suplico que não haja segredos
Ela corada pela mentira deslavada
Jura-me exclusiva fidelidade.
No meu contentamento penso:
Que bom seria...
Que bom...
Que bom, se você fosse verdade.

21.12.05

















Canção de Fim de Ano

Antônio Maria


Que dia maravilhoso haverá, aquele em que for possível telefonar para os melhores amigos e dizer-lhes que houve um ligeiro engano, que não teria sido preciso escrever coisa alguma? E que, dali em diante, nada mais se escreverá, a não ser os nomes e os números necessários das pessoas e das coisas.

Que boa impressão a de ser-se uma parte do coral, um grito em meio às vozes que clamam o gol, um gemido noturno, entre os muitos e repetidos gemidos, na imensa e fria sala do hospital de indigentes! E que absurda e amiga paz a de saber-se que a lua e a flor, o rio e a queixa, nada foi mais lua ou flor, mais rio ou mais queixa, por causa do que se disse. A própria mulher foi sempre bela ou fêmea, antes e a salvo da minha poesia e das minhas mãos!

Vivi entre o que viveu. Fui multidão e povo, um lugar ocupado, uma rescendência de suor, uma voz que pediu licença, um olhar que mendigou prazeres e uma parte milesimal dos pés que povoaram. Das minhas mãos, prefiro não contar, a não ser na custosa confissão de que foram mãos vadias. De bem, fizeram a bênção e o carinho... mas o carinho é vadio e, em toda vez que se aparta de Deus, é proibido. Prevalece, portanto, o existente da multidão, o corista, aquele que não foi o solista de beleza alguma e que, por isso, se sente irresponsabilizado dos erros de maneira especial e destacada!

Sou o rosto fora de foco de uma fotografia em que dezenas de pessoas aparecem em segundo plano. Posso ter ou não a barba crescida; posso trazer ou não uma flor no peito; posso chorar até, e ninguém botará reparo. A fotografia passará de mão em mão e todos os que comigo estiverem desfocados só serão odiados quando não houver mais nada a odiar em primeiro plano.

Só assim é — se o homem real e constante — o que sente o gosto e o cheiro da vida. A maioria se evade de sua condição real, para fazer ou imitar o êxito. Entretanto, só o êxito casual é verdadeiro. Exemplo de êxito casual: a beleza. Exemplo de beleza: a mulher bela. Uma mulher sentou-se à minha frente. Tinha luz própria... E tanta, que um fanal de evidente claridade iluminou minhas mãos, quando em gestos inúteis (as mãos) procuravam supor os seus múltiplos encantos. Mas não me quero perder além do homem real e constante, portanto, desenvolto.

Só farei, sem pudor e remorso, aquilo que fizer com desenvoltura. Principalmente, a poesia e o amor. O amor ou é desacanhado, destro, irrefletido... ou é suor. A poesia também. Por isso volta-se a multidão, vivem-se as imunidades corais e espera-se a vinda casual da poesia e do amor.

Sou o homem real, que sua, que mente, que disfarça, que teme, que inveja e cobiça. Tive e tenho os meus momentos de suicida. Não gosto que me conheçam aquém e além de um homem constantemente exposto ao erro e ao crime. É dever do ser humano pressentir em seu semelhante um sem-número de intimidades inconfessáveis. O grande e verdadeiro amor ao próximo é aquele que ama os erros mostrados e pressupostos.

Além da verdade, só existe a multidão, que exime o homem das proclamações e o ampara das conseqüências de sua coragem. Depois de cumprida a Verdade, ter-se-á conquistado o silêncio. "O silêncio alcançado à custa de sempre dizer a mesma coisa" (João Cabral de Melo Neto).

Só creio em dois estados de lucidez: o dos bêbados e dos poetas. Ambos são negados. Mas essa negação ainda não é a definitiva. Lucidez não é, por exemplo, comprar-se uma vitrola por cem dólares e se vendê-la por vinte contos. Isto seria melhor chamado de "paciência"... ou "organização"... ou ainda "paciência organizada". Lucidez não é ainda ir-se hoje para Brasília e voltar-se, daqui a três anos, com cem milhões. A isto eu chamaria de "disciplina para fazer o fácil". A grande lucidez dos poetas estaria, por exemplo, neste verso de Fernando Pessoa: "Em tudo quanto olhei, fiquei em parte". A lucidez dos bêbados é difícil de defender, porque existem mil bêbados diferentes na humanidade. Mil que partem de dois: o bom e o mau. Ambos são lúcidos e, se um desagrada, é porque sua natureza repele o estado angelical e luzente da bebedice.

O conhecimento incessante da verdade faz com que o homem caminhe para o anjo. Chegarão primeiro os que mais depressa conheceram ao seu semelhante, tanto quanto a si mesmo. Nunca foi impossível o exato conhecimento próprio. É necessária, porém, a coragem bastante, para que cada qual se veja e se pegue, se espie e se apalpe, em cada um dos seus mais íntimos espaços físicos e morais. Que as constantes feiúras a encontrar não nos retraia os olhos (no caso, o sentir) e as mãos. Depois, será mais fácil conhecer-se o próximo. E depois, então, mesmo que se minta, só se saberá da utilidade e do consolo da verdade. Faltará ânimo para o fingimento e a fuga, quando acreditarmos em que ninguém engana ninguém e em que somos capazes de conhecer o próximo, desde o instante inicial do primeiro conhecimento.

A sintomatologia do mal é evidente e constante. O homem mau ri errado. Por isso, deve-se viver em multidão. Falar e rir em coro, andar e parar em batalhões. Viver entre os que, simplesmente, estiverem vivendo. A vida coral nos alivia da obrigação do êxito, do êxito que é casual (e verdadeiro) ou é fabricado e cínico. Desconfiai dos feitos que são repetidamente comemorados com jantares e missas de ação de graças!

É esta uma simples canção de fim de ano. Escrevia, confessando-me e comprometendo-me em cada uma das minhas pequenas descobertas. Se não atingi, rondei mais das vezes a insolente verdade dos homens e das coisas. Em vez disso, escreveria uma crônica de Natal... Mas, em tudo o que eu dissesse do Nascimento de Cristo e fraternidade humana, correria o erro constante de repetir: "Natal, Natal, bimbalham os sinos...".

14/12/1956

14.12.05


















Agora, não mais



Joana vive tendo pensamentos com a profundidade de um pires. Hoje estamos mais uma vez presos num engarrafamento absurdo, quando ela me veio do nada, com a seguinte constatação:

- Se fossemos percentualizar, acho que já passei uns 10% da vida assistindo novela.

Típica afirmação que não se tem resposta nem conclusão a ser dita. Resolvi apelar para o sarcasmo:

- Sorte sua...
- Se não fosse este engarrafamento, eu ia conseguir assistir todas às 3...
- Três?
- Sim. A novela das 6, a das 7 e a das 9.
- Três horas ininterruptas de novela?
- O que representa 12,5% do meu dia.
- Por favor, Joana pare de falar. Você está me irritando...

Certas espécies humanas necessitam ser tratadas com doses homeopáticas de má educação e impaciência. Além de funcionar por alguns preciosos instantes fazendo com que se calem, arrefece um pouco seus egos inflados.
Permanecemos em silêncio dentro do carro. Ligo o rádio para que o tempo passe mais depressa. O idiota do motorista da frente demora a arrancar, deixando um gigantesco espaço onde os demais carros enfiavam-se na mesma pista. Buzinei. Ele olhou pelo espelho como quem diz:
- O que é?

Eu esbravejei:

- Vai tomar no teu cu!

Cara, eu estou ficando louco... Ou será que estou ficando normal? Joana aumentou o volume do rádio exclamando:

- Eu adoooooro esta música! Como se eu fosse flor, você me cheira!

Já não bastava ter que agüentar o dia inteiro esta vaca trabalhando ao meu lado, ela ainda tinha que morar perto da minha casa para sempre aproveitar uma caroninha?

Parece que é de propósito... A primeira coisa que Joana faz todo dia, depois de sentar a sua imensa bunda no banco do carro, é mudar a estação do rádio. Ela gosta de pagode, axé, funk sertanejo ou qualquer música enjoativamente romântica. É uma daquelas cretinas que considera cutícula inflamada uma doença terminal. Vive reclamando da vida, mas não é capaz de mover uma palha pra fazer as coisas acontecerem. Quando nos encontramos em qualquer dificuldade, ela evoca sua falsa esperança no mundo para se passar por otimista. Sua voz é estridente, seu cheiro nojento, seus pensamentos repugnantes. Joana é a minha definição de uma criatura insuportável.

O destino às vezes nos prega estas peças. Ele nos amarra com certas pessoas que não combinam em nada com a gente e não satisfeito, ele ainda aperta o nó.
Joana abaixa o volume do rádio e me pergunta:

- Zé, o quê é que você tem? Parece que algo está lhe incomodando.

Eu não consigo mais suportar mais isso... Agora essa idiota me vem com um diagnóstico leigo da minha complexa amplidão existencial.
Explodo num rompante de fúria socando o painel do carro:

- Joana! Vai a merda e me deixa em paz!

Ela se cala.
O trânsito se cala.
O mundo se cala...

Parece que exagerei na minha dose homeopática de má educação e impaciência. Joana vira o rosto para a janela e começa a soluçar. Noto que fui longe demais e tento remediar procurando palavras:

- Hã... Desculpe Jô. Eu estou mesmo nervoso.

Ela aproveita o transito parado e num movimento inesperado abre a porta e sai correndo do carro.
Procuro impedi-la chamando seu nome e pedindo desculpas mas ela não ouve. Está agora correndo desesperada em meio aos carros chorando. Em perspectiva, a imagem é patética...

Eu fecho a porta do carona. O transito se move, e eu permaneço parado pensando.

Ao escutar a primeira buzina, engato a marcha do carro.
Acelero, e tiro o pé esquerdo da embreagem.
O carro patina alguns instantes no lugar, queimando pneu, até se grudar no asfalto e sair rapidamente andando.
Bato com força na traseira do carro daquele motorista idiota, e apago.

Acordo com a cabeça deitada no volante. Minha cara está ensangüentada, acho que quebrei todos os dentes.

Joana aparece de repente e me pergunta:

- Zé, você se machucou?

Eu levanto a cabeça e me recosto no banco.

Tem vidas, que agente não deve mesmo sair de casa...


7.12.05























Jorge Furtado, cineasta e roteirista - é um dos idealizadores da Casa de Cinema de Porto Alegre.
Tem no seu currículo o instigante curta Ilha das Flores de 1989.
Ultimamente Jorge têm rodado alguns filmes todos altamente recomendados por mim, principalmente o nostálgico Houve uma Vez dois Verões de 2002 e O Homem que Copiava de 2003.
Ano passado, Jorge adaptou para o cinema o conto Meu Tio Matou um cara, do livro de ficção de mesmo nome editado pela L&PM Pocket.
É deste livro que extraí o conto que segue:


Paraíso

Qualquer pessoa sonha com o paraíso. Só que cada pessoa sonha com um paraíso diferente, o seu paraíso.
Elevador abre a porta. Beth entra no elevador. O ascensorista é um Anjo.
- Tudo bem?
- Tudo.
- A senhora tem bagagem?
- Não, não, só isso mesmo.
-Qual é o andar?
- Paraíso. Olha aqui.
Ela mostra um cartão para ele. Ele examina.
-Perfeitamente.
Ele fecha o elevador e marca no painel: P. O elevador se move, eles ficam em silêncio alguns segundos.
-Muito movimento hoje?
- Normal, terça-feira.
- Sei.
- A senhora morreu como?
- Atropelada. Por um ônibus.
- Sei. Bom que é rápido.
- Foi sim. Nem vi. Quando abri o olho já tinha morrido. Demorado este elevador.
- Andar alto. Estamos chegando.
O Anjo abre a porta de um maravilhoso apartamento. Beth entra. O anjo, como um boy de hotel, abre o quarto.
- Bem-vinda ao paraíso.
- Isso é o paraíso? Parece um apartamento.
- É seu.
- O quê? Este apartamento é meu?
Ele abre a cortina.
- Claro. Dê uma olhada. Sacada com churrasqueira. Piscina. Vista para o mar.
- Meu? Tudo isso? Tevê 62 polegadas. Sofá de couro. Mesinha que dá para botar o pé. Revistas desta semana. Telefone branco sem fio. Isso é o paraíso!
- Foi o que eu disse.
- O que está passando na televisão?
- O que você quiser. Aqui é o paraíso.
Ela liga a televisão. Está passando ``A Noviça Rebelde``.
- A Noviça Rebelde! Adoro este filme! (canta) Dó, um dia, um lindo dia... Tudo isso é meu?
- Para a eternidade.
- Mas que paraíso!
- Pois é o que eu estou lhe dizendo. Frigobar.
O Anjo abre o frigobar.
- As despesas com o frigobar são por nossa conta, tire o que quiser. O café-da-manhã é servido até a hora que a senhora quiser, ovos mexidos, não muito tostados, molinhos, como a senhora gosta.
- O que pode ser melhor que isso?
Murilo Benício sai da cozinha. Traz uma bandeja com empadinha e suco.
- Dona Beth, as de galinha são as que têm o arranjo com azeitona. Só o arranjo, azeitona tem gosto muito forte. As de camarão têm o arranjo de cenoura. Tome cuidado que estão quentes, não sei se eu acertei na massa. Coloquei duas pedras de gelo no suco, se a senhora quiser mais, é só chamar. Com licença, eu vou regar o seu jardim.
Murilo Benício põe a bandeja na mesa e sai. Beth olha para o Anjo.
- Esse rapaz parece muito com o Murilo Benício.
- É o Murilo Benício.
- Mas isso é o paraíso!
Infelizmente, o que para uns é o paraíso para outros é um inferno. E o que é pior: o que hoje é um paraíso, no fim de semana que vem pode virar um inferno.

Beth abre a porta do apartamento para o Anjo.
- A senhora chamou?
- Chamei, chamei, entra aí.
- Algum problema?
- Não, problema nenhum. Este é que é o problema.
- Não entendi.
- Isso aqui está ficando um pouco monótono, sem problema nenhum. Todo mundo fala mal dos problemas, se queixa que está cheio de problemas, mas sem problema nenhum também não tem muita graça. Problema ocupa a pessoa, distrai. A gente comenta que está com um problema, puxa assunto, fala do problema dos outros... É divertido.
- O paraíso é seu. Se a senhora quer um problema, não tem problema. Que tipo de problema a senhora quer?
- Bom, nada de grave. Não quero problema de saúde, nem de dinheiro. Isso é certo.
- Quem sabe um problema com seu empregado?
- O Murilo Benício? Pode ser... Problema com empregado distrai bastante. Ele engordou um pouco, eu acho. E às vezes eu não entendo o que ele diz. Mas pode ser implicância minha, eu também estou procurando problema em tudo.
- E se ele bebesse e faltasse ao serviço?
- Boa idéia. O Murilo Benício podia beber, dar uns vexames, faltar ao serviço. Anotou?
- Anotei. Mais alguma coisa?
- Tem sim, essa idéia de Noviça Rebelde para a eternidade foi um erro. Não agüento mais este filme. Eu gostava de reclamar da televisão, ficar pulando de programa em programa e falando mal.
O Anjo faz anotações.
- Programas ruins. Certo.
- E chuva. No paraíso não chove nunca? Estou com saudade duma chuvinha.
- A senhora que sabe, anotei tudo: chuva, programas ruins na televisão e um empregado que bebe, dá vexame e falta ao serviço.
- Isso. Para começar.
- Vou providenciar.
O Anjo sai, Beth liga a televisão. Está passando a Noviça Rebelde. Murilo Benício entra com as empadinhas. Tem cara de choro.
- Dona Beth, a senhora pode me dispensar do serviço hoje?
- Por quê?
Ele começa a chorar.
- Eu não estou me sentindo muito bem Dona Beth.
- O que foi?
Murilo senta, chorando.
- Acho que foi uma empadinha que eu comi.
- Beth se aproxima, cheira.
- Só se for empadinha de cachaça! Você andou bebendo?
- Que é isso, Dona Beth? Acho que eu sou alérgico a azeitona. Eu...
Murilo vomita no sofá.
- Meu sofá de couro!
Uma eternidade no paraíso parece uma contradição em termos, como uma bola quadrada. Por melhor que seja o paraíso, depois do terceiro dia de chuva uma hora parece ter uma eternidade.

Beth abre a porta para o Anjo.
- Chamou?
- Faz mais de meia hora! Isso aqui está um inferno! Não pára de chover, não tenho mais um lençol seco.
- E o Murilo Benício?
- Não aparece há três dias. E o pior é que na televisão só passa jogo de golfe. Você acha que tem sentido assistir golfe na televisão? Tem um buraquinho, uma bolinha branca e grama. Só. E um gordinho de boné. E os caras ficam falando sobre grama. Parece uma novela para vaca. E leva mais de duas horas uma partida. Três dias sem empregado, chovendo sem parar, e na televisão só passa jogo de golfe.
- Você é que sabe. Na televisão pode passar só o que você gosta.
- Mas não só Noviça Rebelde. Pode variar. E pode ter uma coisa ruim nos outro, só para eu dar uma olhadinha.
- Quem sabe um controle remoto?
- Isso! Eu sabia que estava faltando alguma coisa. Um controle remoto na minha mão, pessoal, com meu nome escrito nele. E chega de chuva.
- Certo.
- Chuvas de no máximo quarenta minutos, no meio da tarde, para não atrapalhar o trânsito, entre três e quatro horas da tarde.
- Todos os dias?
- Não, duas vezes por semana, no máximo.
- Que dias da semana?
- Sei lá. Variado, eu prefiro não saber.
- Anotei.
- Eu também preciso de lençóis secos.
- Mais alguma coisa?
- Sim. E o pessoal, cadê?
- Pessoal?
- As outras pessoas, o pessoal lá da firma.
- Cada uma está no seu próprio paraíso.
- E a Sandrinha? Sabe uma de óculos?
- Sei. Esta preferiu ir para o inferno.
- A Sandrinha foi para o inferno?
- Foi. Disse que marcou encontro com um pessoal e pediu para ir.
- Grande Sandrinha. Aquilo era uma peste! O inferno deve ser divertido.
- Mas o clima é péssimo. Um calor desgraçado. E o pior é que as pessoas jogam lixo no chão, entope os bueiros, chove, alaga tudo, aquele calor miserável. E as baratas foram para lá também.
- O paraíso seria um inferno com praia não seria? Um lugar onde chove de vez em quando, outras vezes faz sol. Onde a gente possa encontrar o pessoal. Não sempre, de vez em quando.
- Já sei o que a senhora quer. Me acompanhe por favor.
Beth sai acompanhando o Anjo. Entram no elevador. O Anjo aperta no T.
- Deixa ver se eu entendi: a senhora quer uma televisão com controle remoto, alguns programas ruins outros bons, chuva de vez em quando, em dias variados, e alguns problemas. E quer encontrar o pessoal, não sempre, de vez em quando.
- Isso.
- Chegamos. Pode sair.
Beth sai.
- O que é isso?
- A Terra. Faça bom proveito.
Fecha a porta do elevador. Beth se vira e está numa calçada, cheia de gente.