31.10.04

O Pompoador do Futuro



















Certamente você já deve ter emparelhado na sinaleira, com um carro que emanava uma música tão alta que mal deixava você ouvir seus pensamentos. Ou isso, ou você efetivamente É um feliz proprietário de uma boate automobilística, popularmente conhecido como MAGAL.
Pois bem, saibam todos vocês, que pesquisadores americanos vincularam a música eletrônica, similar ao bate estaca, à um mecanismo de recompensa auricular, cuja vibração, ``massageia`` a rampa vestibular do ouvido, liberando injeções de prazer ao cérebro.
Mais que isso, os pesquisadores chegaram a comparar este mecanismo, ao barulho que os sapos fazem para atrair suas fêmeas, e assim acasalar. Imaginemos as sapas numa boa, sapeando na lagoa e fofocando:
- Realmente os sapos não são nenhum Brad Pitt... Mas para compensar até que eles fazem um som legal!
Pois não é que o Magal, utiliza-se deste mesmo mecanismo de uma forma inconsciente? Digamos que inconsciente já o são por natureza, mas é esta mesma natureza que transforma um serzinho sem atrativos nenhum, num Dom Juan primitivo, no melhor estilo neandertal de tacape na mão. Porém nesse caso, o tacape é substituído por potentes caixas de som, woofers, sub-woofers, moduladores, twiters que chegam a ser mais caros que seus próprios veículos.
Quem já teve o prazer de ir a uma festa Rave ou um baile Funk, comprovou esse estado de arrebatamento pulsante ou suruba high-tech à que me refiro. As luzes intermitentes, os corpos se roçando na dança, as batidas balançando o chão, a vibração, a reverberação levam o clubber a delirar embalado pelas pulsações, atingindo assim, uma espécie de orgasmo sonoro. Alguns para aumentar ainda mais estas sensações libidinosas, chegam a ingerir drogas em cápsulas com o sugestivo nome de êxtase. O êxtase aumenta ainda mais a percepção dos sentidos, fazendo com que o batidão acústico, molhe de prazer as calcinhas e cuequinhas dos freqüentadores. E o melhor de tudo... SEM PRECISAR ``PEGAR`` NINGUÉM!!
Bons tempos aqueles em que a gurizada ficava lá, quietinha trancada no banheiro. Hoje, se masturbam em qualquer lugar. Ou seria, se sonsturbam?? Bem... Não importa... Seja nas boates, no apartamento, nos postos de gasolina e até mesmo dentro do carro, sem se importar com que os outros vejam ou escutem, os magais assumem em alto e não tão bom som que são sim, punheteiros eletrônicos.
E assim, o cabelo que outrora nascia na mão, passa a surgir agora na orelha.

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24.10.04


Pois dia 27 de agosto passado, completaram-se 30 anos da morte de um dos mais notórios boêmios contemporaneos.
Lupicínio Rogrigues nomeou de ``dor-de-cotovelo`` o ato de debruçar-se sobre o balcão dos botequins e chorar as mágoas dentro de um copo de whisky. Apaixonado por mulheres e pela boemia ( subtâncias tão heterogeneas quanto a água e óleo), Lupe cantava suas desilusões amorosas de uma forma singular como exemplifica-se no belo hino gremista e a seguir:






QUEM HÁ DE DIZER - Quem há de dizer que quem você está vendo naquela mesa bebendo, é o meu querido amor. Repare bem que toda vez que ela fala, ilumina mais a sala do que a luz do refletor.O cabaret se inflama quando ela dança e com a mesma esperança, todos lhe põem o olhar. E eu, o dono, aqui no meu abandono espero, louco de sono o cabaret terminar. ``Rapaz ! Leve esta mulher consigo``. Disse uma vez um amigo quando nos viu conversar. ``Vocês se amam, e o amor deve ser sagrado o resto deixa de lado, vá construir o seu lar !`` Palavra ! Quase aceitei o conselho. O mundo este grande espelho. que me fez pensar assim. Ela nasceu com o destino da lua, pra todos que andam na rua, não vai viver só pra mim- Lupicínio Rodrigues


VINGANÇA- Eu gostei tanto, tanto, quando me contaram, que lhe encontraram chorando e bebendo, na mesa de um bar. E, que quando os amigos do peito, por mim, perguntaram, um soluço cortou sua voz, e não lhe deixou falar. Mas, eu gostei tanto, tanto, quando me contaram, que tive, mesmo, que fazer esforço . . . Pra ninguém notar. O remorso, talvez, seja a causa do seu desespero, você deve estar bem consciente do que praticou. Me fazer passar essa vergonha com um companheiro e a vergonha é a herança maior que meu pai me deixou. Mas, enquanto houver força em meu peito, eu não quero mais nada, só vingança, vingança, vingança!! Aos santos clamar. Você há de rolar como as pedras que rolam na estrada, sem ter, nunca, um cantinho de seu pra poder descansar- Lupicínio Rodrigues


Cadeira Vazia- Entra, meu amor, fica a vontade. E diz com sinceridade o que desejas de mim. Entra, podes entrar a casa é tua, já que cansaste de viver na rua e teus sonhos chegaram ao fim. Eu sofri demais quando partiste.Passei tantas horas tristes, que nem devo lembrar esse dia. Mas de uma coisa podes ter certeza, que do teu lugar aqui na minha mesa, tua cadeira ainda está vazia. Tu és a filha pródiga que volta, procurando em minha porta o que o mundo não te deu. E faz de conta que sou teu paizinho que tanto tempo aqui fiquei sozinho a esperar por um carinho teu. Voltaste está bem, estou contente, só me encontraste muito diferente. Vou te falar de todo o coração, não te darei carinho nem afeto...Mas para te abrigar podes ocupar meu teto, para te alimentar podes comer meu pão - Lupicínio Rodrigues


C A S T I G O-Eu sabia que você um dia, me procuraria em busca de paz. Muito remorso muita saudade, mas, afinal o que é que lhe traz ? A mulher quando é moça e bonita, nunca acredita poder tropeçar. Quando os espelhos lhe dão conselhos é que procuram em quem se agarrar. E você pra mim foi uma delas, que no tempo em que eram belas, viam tudo diferente do que é. Agora que não mais encanta, procura imitar a planta.A planta que morre de pé. E eu te agradeço por de mim ter se lembrado. Entretanto desgraçado que em sua vida passou. Homem que é homem faz qual o cedro, que perfuma o machado que o derrubou -Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves

ELA DISSE-ME ASSIM (VÁ EMBORA)-Ela disse-me assim: -Tenha pena de mim, vá embora, vais me prejudicar, ele pode chegar, está na hora. E eu não tinha motivo nenhum para me recusar, mas aos beijos caí em seus braços, e pedi pra ficar. Sabe o que se passou... Ele nos encontrou, e agora ela sofre somente porque foi fazer o que eu quis. E o remorso está me torturando, por ter feito a loucura que fiz. Por um simples prazer, fui fazer meu amor infeliz- Lupicínio Rodrigues

ESSES MOÇOS (POBRES MOÇOS)- Esses moços, pobres moços... Ah se soubessem o que sei. Não amavam, não passavam. Aquilo que já passei. Por meus olho, por meus sonhos, por meu sangue... Tudo enfim. É que eu peço a esses moços, que acreditem em mim. Se eles julgam que há um lindo futuro só o amor nesta vida conduz. Saibam que deixam o céu por ser escuro, e vão ao inferno à procura de luz. Eu também tive nos meus belos dias, esta mania que muito me custou. Pois só as mágoas que eu trago hoje em dia, e estas rugas que o amor me deixou- Lupicínio Rodrigues

E X E M P L O -Deixe o sereno da noite molhar teus cabelos que eu quero enxugar, amor. Vou buscar água na fonte, lavar os teus pés, perfumar e beijar, amor. É assim que começam os romances, e assim começamos nós dois. Pouca gente repete estas frases, um ano depois. Dez anos estás ao meu lado, dez anos vivemos brigando. Mas quando eu chego cansado, seus braços estão me esperando. Esse é o exemplo que damos, aos jovens recém-namorados. Que é melhor brigarmos juntos, do que chorar separados. ( Dez anos estás...)- Lupicínio Rodrigues


N U N C A -Nunca...Nem que o mundo caia sobre mim, nem se Deus mandar. Nem mesmo assim, as pazes contigo eu farei. Nunca....Quando a gente perde a ilusão, deve sepultar o coração como eu sepultei. Saudade, diga a essa moça, por favor, como foi sincero o meu amor. Quanto eu a adorei tempos atrás. Saudade, não se esqueça também de dize, que é você quem me faz adormecer pra que eu viva em paz . . .- Lupicínio Rodrigues

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18.10.04

AMAR É PUNK















Conheci Valéria numa roda punk, nos hoje distantes idos de 80... Eu acabara de topar com uma muralha humana e ser lançado de costas ao chão, quando a vi linda, correndo em minha direção, trajando uma camiseta amarfanhada dos Dead Kennedys, uma calça jeans bem justa, e um batom preto delineando seus finos lábios. Valéria estendeu-me a mão, agarrando-me com uma força descomunal puxou meu rosto de encontro ao seu joelho e... BUM !!!! Me apaixonei.
Em meus sonhos alucinados, me vi com Valéria dançando ao som de We´re a Happy Family, tomando ceva e quebrando os móveis da sala. Naquela mesma noite, saí do hospital, e fui ao seu encontro. Paguei sua fiança, e fomos a um dos poucos bares que ainda permaneciam abertos na cidade. Dividimos um trago, porém daquela conversa me lembro pouco ou quase nada, talvez pela incidência do álcool, talvez pela pancada na cabeça. Quando os primeiros raios de sol começaram a ferir nossas retinas, Valéria levantou-se apressada, puxou um canivete do bolso e riscou nas costas de minha jaqueta de couro: 55-4269. Despediu-se dizendo:
- Adeus, seu abostado!
Liguei no mesmo dia, para descobrir que o número não existia. Voltei ao bar onde nos conhecemos, vaguei pela cidade, entrei em cada boteco, cada birosca, para finalmente entender que Valéria havia sumido de minha vida com a mesma facilidade com que entrou, deixando para trás, cicatrizes e nada mais...
Vinte anos depois, no fundo deste executivo que aqui se encontra, existe ainda um punkzinho amargurado que procura por Valéria. Ou melhor, procurava...
Hoje finalmente, eu a vi saindo de uma escola primária, segurando uma lancheira plástica, de mão dadas com um menininho ranhento. Corri até ela chamando por seu nome. Quando me viu, Valéria abriu um sorriso radiante, meneou levemente com a cabeça e acertou-me em cheio com a lancheira do menino no saco.
Pouco antes de desmaiar e já com a vista enegrecida pela dor, pude escutar ela dizendo:
- Sim, sou sua alma gêmea! Mas não me peça nada mais além disso...Seu abostado!

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13.10.04

Práticas para não enlouquecer no dia a dia:











Tem dias que tudo parece conspirar contra nós, não é mesmo? O carro quebra, você tem que trocar o gás, a resistência do chuveiro pifa e o computador dá pau... Problemas que com o advento da tecnologia, somente vieram a crescer mais ainda, ou seja, quanto mais eletrodomésticos você tem, maior será a possibilidade de algo estragar quando você precisa.
Mas assim como as pilhas, existe um lado positivo... Os objetos além de servir, nos permitem descarregar a ira. As opções são muitas, podemos chutá-los, jogá-los janela fora, incendiá-los ou qualquer outra perversão que sua mente sedenta por vingança e momentaneamente insana puder conceber.
SIM! Os objetos existem exatamente para serem destruídos. Sua mansão de 40 quartos um dia ficará obsoleta e será destruída, o BMW do Gugu vai passar no sinal fechado e porrar com um caminhão, e a Monalisa de Leonardo Da Vinci queimará num terremoto no ano de 3124. Ou seja, você pode, sem sofrer qualquer conseqüência, esmagar com um taco de beisebol coisas que são de sua propriedade. Agora note que o mesmo não se aplica à pessoas. Muito embora as pessoas também pereçam, de acordo com as leis divinas e instituídas, você não pode socar, esmurrar, esfaquear, estripar, esfolar, cortar, fatiar, centrifugar e até mesmo xingar uma pessoa qualquer que lhe tire do sério. E então o que te resta fazer? Engolir aquele ódio tão ruim quanto cerveja quente, e deixar que o FDP que te provocou saia incólume de uma afronta ? NUNCA!! É preciso tomar atitudes que muito embora não machuquem a carne, abalem o psíquico destes imbecis. Aqui vão algumas sugestões:

* Quando aquele cara emparelhar ao seu lado para te xingar no transito, abra um sorriso e acene como se você conhecesse o esquentadinho.
* Quando houver um casalzinho atrás de você no cinema conversando como se estivessem num barzinho, preste atenção na conversa e vire-se dando a sua opinião.
* Quando estiver com a boca cheia de anestesia, sugador de saliva e o escambau, e o dentista começa a conversar, fale de um jeito inteligível e sem parar mais.
* Quando tentar suspender um serviço qualquer por telefone e o atendente começar a insistir e oferecer outras picaretagens, pergunte:
- Esta ligação está sendo gravada?
O atendente certamente lhe dirá que sim. Então peça para ele rebobinar a fita e ouvir novamente o seu pedido do maldito cancelamento.
* Quando solicitarem esclarecimentos a respeito do seu imposto de renda, antes de se apresentar na Receita coma uns 3 pães com alho.
* Quando seu colega de serviço ficar te controlando pra te entregar pro chefe, cante sem parar aquela música irritante dos Woompa Loompa da Fantástica Fabrica de Doces: Woompa Loompa, dumpadi duuu...
* Quando o garçom te ignora, invente um apelido de preferencia salientando alguma característica física do cretino: Ô careca, me traz outra caipira!!
* Quando alguém fura uma fila na sua frente, segure com seu sapato a base do calçado do mala. Quando ele caminhar o sapato saltará do pé...
* Quando estiver entrando no elevador do seu prédio com aquele vizinho barulhento do andar de cima, ajuste seu celular para tocar, faça uma cara de mafioso, atenda o telefone dizendo:
- Alô!(PAUSA) Ok Valdir, pode matar este merda. Mas quebra as perna dele antes...


Pessoas anti-sociais assim como eu, tem extrema dificuldade em lidar com a anti-sociabilidade alheia, e quando só reclamar não é o bastante é necessário por em prática estas ações ou virar um palerma conformista.
Estas talvez sejam soluções covardes, e necessitem de um pouco de cara de pau para serem postas em prática, mas são todas pequenas reações contra uma batalha ainda não perdida contra a ignorância.

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2.10.04

DEPOIS... VEM...

Depois da tempestade
Vem a bonanza
Depois da bola
Vem a criança
Depois de Mercúrio
Vem Marte
Depois do X-Bacon
O enfarte

Depois da dama
Vem o cavalheiro
Depois do barulho
Vem o cheiro
Depois da fecundação
Vem a vida
Depois do machucado
A ferida

Depois de renovado começo
Vem do caos, uma porcentagem provável
E assim nada perdura
Perdido no tempo imutável
Como bem disse Asimov
Observando a bunda de Sheila Carvalho









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